Agricultura Orgânica

Adão de Jesus Ferreira

Agricultura Orgânica.

Um Breve Histórico.

 

Como é de nosso conhecimento a agricultura no mundo, teve seu início como tal, a mais ou menos 7.500 anos, na região que hoje se encontra o Egito.

Nessa mesma época o homem iniciou a domesticar animais como a cabra e a vaca. Nos primeiros passos de domesticação de animais, estes não eram para o abate e sim com a finalidade de aproveitamento do leite e tração para o trabalho de cultivo. No entanto, continuavam a utilizar a caça  de animais selvagens para a alimentação. Foi somente com a escassez da caça que o homem passou a utilizar a carne de animais domesticados.

A domesticação de plantas iniciou com a coleta de alguns exemplares que eram replantados próximos a seus acampamentos. Com a necessidade de cuidar de sua plantação, foi necessário que ele fixasse sua residência próxima a esses locais, abandonando sua condição de nômade. E, foi para se proteger contra inimigos e ladrões e usando seu instinto agregatório que construíram suas primeiras aldeias.

Com o desenvolvimento da agricultura, e consequentemente o aumento da produção de alimentos, o homem teve maior facilidade em alimentar seus filhos, aumentando a prole e a expansão demográfica.

Com a utilização de animais de tração e um arado rudimentar iniciou o preparo do solo para o cultivo. Nesta mesma época surgiram os primeiros ensaios de irrigação. Com a experiência até aqui adquirida, percebeu que o esterco dos animais que viviam próximos aos locais em que plantavam servia de adubo para melhorar a produtividade.

Desde o início da agricultura o homem começou a sofrer o ataque de pragas, e presume se que um terço da produção de alimentos eram destruídos por estas, até a década de 1920.

Uma das primeiras manifestações sobre melhoramento da agricultura da era moderna surgiu em 1924, com o Cientista e Pesquisador, Rudolf Steiner.

Rudolf Steiner foi quem criou a agricultura biodinâmica. Esta prática incentivada pelo Dr. Steiner fundamenta-se na relação agrícola com o Cosmo. Dentre os ensinamentos desta prática, coloca como eixo central a interação dos seres da terra, com o movimento dos astros e as fases da lua. Algumas destas práticas eram conhecidas por nossos antepassados que por instinto ou intuição a praticavam.

O agricultor sempre foi um bom observador e procurou acompanhar o comportamento da natureza para adequar a ela o ciclo de sua produção, tanto dos produtos agrícolas propriamente ditos, quanto o  da pecuária.

No Brasil, o plano de desenvolvimento industrial dos anos 70 criou ritmo de migração acelerada do homem do campo para cidade em busca de emprego fixo na indústria e construção civil, onde tinham carteira assinada e previdência social. Este fato ocasionou uma grande queda no índice de produção agrícola. Em 1980 já era menos de 10% a participação da agricultura, na Renda Nacional.

Esta retirada do trabalhador rural obrigou o governo criar estímulo da produção de gêneros, fomentando o aumento da fronteira agrícola. Foi nesse momento, que ficaram esquecidos os princípios de convivência da agricultura com o meio ambiente. Com a necessidade de resultados econômicos, ocorreu o desmatamento e o uso de pesticidas para garantir a produção de bens.

A indústria de insumos agrícolas, em especial as de agrotóxico, procurava induzir os técnicos e agricultores a utilizarem esta tecnologia com o fim de criar maior demanda a seus produtos- o da indústria química-. Entusiasmados pela promessa de lucro fácil, o agricultor iniciou a utilizar indiscriminadamente esses produtos, sem o devido cuidado com a saúde e com o meio ambiente.

Com o aumento do uso indiscriminado dos defensivos agrícolas, mais propriamente os agrotóxicos, foi necessário disciplinar o setor, o que foi feito através da Lei Nº 7.802 de 11/7/ de 1989. Esta lei estabelece um marco na tentativa de frear o uso indiscriminado desses produtos.

A indústria química investiu pesado no setor, para o convencimento do agricultor no uso de seus produtos – Os agrotóxicos-. Aqui nos referimos também aos Produtos Geneticamente Modificados – OGMs-, os conhecidos Transgênicos. Lembrando que o primeiro produto a ser plantado com esta modificação foi a soja, seguida pelo milho.

É importante que o consumidor fique sabendo; a técnica transgênica consiste em alterar a parte genética da planta, introduzindo na semente um gene de uma bactéria que torna a planta resistente ao uso de um forte agrotóxico (Veneno). Com a planta resistente, é possível pulverizar este veneno na lavoura matando todas as pragas sem danificar a planta geneticamente modificada. O problema é que junto com as lagartas que atacam a planta, e as ervas ditas daninhas que prejudicam seu desenvolvimento, também são exterminadas outras espécies, como abelhas e outros insetos polinizadores, inimigos naturais, ervas medicinais e toda a vida do solo.

Muitos pomares que ficam próximos a locais onde acontece a pulverização aérea de agrotóxicos já não conseguem fecundar a flor impedindo o desenvolvimento do fruto.

O que fazer, já que a ganância, o desejo de enriquecimento rápido inibe o bom senso de alguns agricultores? Estes ao lançarem a semente ao solo já comercializam o produto da colheita e se obrigam a garantir a produção da safra, pois já receberam antecipadamente o valor da mesma.

Sobre este tema, concordamos com as palavras do Dr. Steiner -1924; “O agricultor ao lançar a semente ao solo, deve o fazer com o único intuito, o de ver germinar a semente e desenvolver a planta para garantir o alimento; fora disso o objetivo será incoerente”.

Cremos que uma agricultura familiar com um cultivo que se ajuste ao ritmo da natureza, de  forma a produzir alimento saudável e nutritivo, compensando o agricultor, já existe. Basta para isso querer produzir alimento e não dinheiro. O dinheiro virá depois com os excedentes da colheita.

Já existem mecanismos legais e técnicos que garantem um controle seguro para produzir e ofertar produtos de qualidade orgânica. Associações e Cooperativas de produtores orgânicos podem criar selo de qualidade devidamente certificado. Também uma assistência técnica eficiente fará com que o agricultor do sistema de produção orgânica tenha um bom desenvolvimento e fique estimulado a permanecer na atividade.

Conforme define o Instituto Agronômico do Paraná; “agricultura orgânica é aquela que procura chegar o mais próximo da natureza”. Por isso, ela exclui o uso de agrotóxicos, fertilizantes solúveis, hormônios e qualquer tipo de aditivo químico.

Um dos maiores males provocados ao meio ambiente, é a eliminação de muitas espécies consideradas prejudiciais na lavoura, são na realidade predadores de pragas e plantas medicinais que poderiam ser úteis ao homem.

Reafirmamos que a Agricultura Familiar é o caminho mais eficaz para criar definitivamente uma política de agricultura orgânica; também denominada agricultura alternativa. Este modelo de agricultura possui entre os seus maiores defensores, o Agrônomo José Lutzemberguer, que em 1976 lançou o movimento intitulado; “o fim do futuro”, onde propunha uma agricultura mais ecológica. Este movimento por uma Agricultura Alternativa teve um grande desenvolvimento nos anos 80.

Em 1999 surgiram as primeiras normas de controle de certificação de produtos orgânicos, através da Instrução Normativa 007/99, do Ministério da Agricultura, instrumento que disciplina a produção, transporte e venda de produtos orgânicos.

As Entidades Públicas, as Não Governamentais-Associações e Cooperativas-, possuem a competência de realizar inspeções periódicas nos produtos em locais de produção e venda, com o fim de emitir o certificado. Com estas estruturas a seu alcance torna-se   fácil ao agricultor obter o certificado de garantia de qualidade, já que ele costuma frequentar essas entidades. Além de comprovação de que os produtos orgânicos estão isentos de agrotóxicos, devem garantir de que sua produção segue as normas ambientais, e que o pr segue as leis trabalhistas e garante as condições sociais do trabalhador. O consumidor também deve observar o cumprimento destas normas pelo vendedor, para garantir que o produto adquirido possui as características de produto orgânico.

Em uma avaliação ampla do sistema produtivo, creio que temos condições de produzir alimento saudável, livre de transgênicos e agrotóxicos, basta seguirmos a política da Agricultura Familiar e exigir dos produtores e fornecedores as garantias de qualidade. Se nós conseguirmos segurar o pequeno produtor no campo, é certo que ele nos fornecerá o alimento saudável de que tanto queremos e necessitamos.

 

 

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