Mensagem ambientalista

Aos Companheiros Rotarianos.

 

Senhor Presidente. Companheiros.

 

Foi a ampla vivência como professor de Ed. Física, ainda no Rio Grande do Sul, que despertou em mim o amor pela vida ao ar livre e atividades dinâmicas e a valorizar o convívio com a natureza.

Foi no árduo exercício da advocacia que abracei a luta pelos direitos dos seres humanos para que tenham um ambiente saudável. Luta esta que teve grande impulso quando fui admitido como professor de Direito Ambiental da Universidade do Tocantins (UNITINS).

De imediato recebi a incumbência de coordenar a área jurídica do Projeto do Rio Formoso (Projeto de agricultura irrigada, usando tecnologia ecológica) no afluente do rio Tocantins.

Participei do Projeto de Desenvolvimento Preservacionista da Bacia do Rio Taquaruçú (Bacia que abriga os principais mananciais da periferia de Palmas a Capital do estado.

Participei, junto com a minha esposa, Profa. Ana Margarete, sendo a mesma coordenadora, do Projeto de desenvolvimento social da comunidade do Lageado, comunidade atingida pelas obras da Hidrelétrica do mesmo nome. Participei também em companhia da Prª Ana Margarete, do projeto de mapeamento das grutas e cavernas do estado, projeto este da Secretaria de Turismo do Estado de Tocantins em convênio com a UNITINS.

Participei ainda do Projeto Caminhada da Ilha do Bananal, projeto da UNITINS, também coordenado pela Prª Ana Margarete. Projeto que tinha a incumbência de facilitar o convívio das comunidades indígenas no processo de desenvolvimento social e cultural.

Já de volta ao RGS, trabalhei com projetos sociais na Prefeitura Municipal de São Luiz Gonzaga, destacando-se entre outros o projeto financiado pelo CNPq, “Cooperativa dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis de São Luiz Gonzaga”, também coordenado pelo Pra Ana Margarete.

 

Senhor Presidente, Companheiros.

 

Foi esta trajetória social e ambientalista que me induziu ao caminho crítico a pesquisa científica no âmbito sócio-ambientalista.

Fiz o curso de Mestrado na Universidade de Viçosa MG, com dissertação sobre a Hidrelétrica do Lageado- Um questionamento socioambiental sob a ótica da Sociologia do Direito.

Diz a Bíblia: (Gênesis) Deus criou o Céu e a Terra. Havia trevas sobre o abismo, mas o espírito de Deus pairava sobre a face das águas.

Diz a Ciência: o Universo era um caos. Mas uma grande energia e o espírito da vida já pairavam sobre o caos.

Por obra de Deus ou do acaso, aconteceu uma grande explosão. “O big bang”.

Foi o momento da reorganização dos elementos que se combinaram formando o cosmo com sua monumental estrutura que conhecemos. O universo com todas as suas galáxias e a terra que hoje habitamos.

Hoje sabemos que não estamos isolados na terra, que aqueles elementos que formaram o universo, são os mesmos que compõem os seres que habitam a terra formando um único corpo, o cosmo.

Para Teilhard de Chardin, (Cientista francês da nossa era), o cosmo é infinitamente grande na sua plenitude e infinita mente pequeno na sua singularidade, o átomo.

Citando Leonardo Boff (Teólogo, Filósofo e Ambientalista contemporâneo) “O homem interexiste e coexiste com os outros seres no mundo e no universo e não quer reconhecer esse vínculo”. A terra e nós somos um mesmo ente cósmico.

O ser humano se colocou fora e acima da natureza. E por estar assim afastado não se importa em preservar o ambiente em que vive. Este ser que somos nós, vê a natureza como um meio pelo qual ele pode realizar seus  sonhos de vaidade, capricho, luxúria e poder.

É o antropocentrismo ancestral e individualismo visceral que faz o homem dirigir-se assustadoramente para o caos.

A terra só existirá se soubermos conservá-la. E nós só existiremos se a terra existir. Mas esse axioma é imperceptível à fraca sabedoria humana.

Mas, se nós os seres humanos, pudermos ver como expectador crítico, podemos então ver o “dia-bólico” (O que separa) e o sim-bólico (O que une) que convivem com nossa existência.

 

Mas…companheiros, ainda podemos seguir o caminho da regeneração. Para tanto devemos aceitar a simbiose homem-natureza, e o simbolismo homo-cosmo e que o homem, este ser humano, valorize a comunidade dos homens,  valorizando a familiaridade singular e social.

Hoje o planeta vive em um momento competitivo e não cooperativo. Os que se julgam mais fortes subjugam e matam em nome dessa competição ferrenha e perversa.

Somente através da cooperação é que podemos planejar e executar ações a médio e longo prazo e assim compartilharmos a coexistência com o planeta e com o cosmo.

A ordem geral ditada pelo poder econômico é ir se necessário, aos confins do planeta, solo, ar e subsolo e carrear riquezas para nossa comuna, e mais precisamente para as contas bancárias.

Nós herdamos de Adão bíblico o antropocentrismo dominativo, em que o homem detém o poder absoluto sobre todas as coisas e seres vivos da natureza. Para aguçar mais a cobiça do “homo sapiens”, (Homem inteligente) ou “homo demens” (Homem sem inteligência), criou-se a antiga mitologia em que Prometeu (Divindade da mitologia grega) roubou o fogo do céu e entregou ao homem.

Este ser humano que somos hoje se afastou da convivência com a mãe terra. Arrancamos as riquezas do seu solo e sugamos a sua seiva que sustenta a vida. Este ser humano de hoje, emergiu por volta de 30 a 40 mil anos atrás, o homo sapiens. Desenvolveu-se rapidamente e expandiu-se por todos os quadrantes da terra. Aprendeu a adaptar-se em todos os ecossistemas, modificando o ambiente em que vive e construindo grandes civilizações, até a nossa era tecnológica.

Ainda há esperança; com o evento da globalização que a humanidade chegue a conclusão de que não é a luta pela conquista que salvará o universo, mas a luta pela união de todos em busca do equilíbrio global e cósmico.

Para terminar quero lembrar aquele velho “chavão ambientalista” – devemos pensar globalmente e agir localmente.

Consulta bibliográfica:

Teilhard de Chardin , Pierre.

O fenômeno humano- Ed. Cutrix-SP.2006

Boff, Leonardo.

O despertar da águia- Ed. Vozes- RJ. 1998

Machado, Paulo Afonso L.

Direito ambiental brasileiro- Ed. Malheiros – SP.1998

Ferreira, Adão de Jesus

Um questionamento sócio-ambiental sob a ótica do direito- UFV-  MG. 2002