A QUESTÃO ECOLÓGICA x DOMINAÇÃO

O debate sobre o problema social, está sendo direcionado da realidade econômica para a questão ecológica, por estarem englobadas em um único afã; o bem estar social.

O tempo marcou na história, com ranhuras profundas a direção da conduta humana. No período inicial da civilização, até o século XVIII, foi a época da economia natural; em que o homem extraia da natureza o necessário a sua subsistência. Após esse período, tivemos o período industrial e produtivo; em que o homem beneficiava e ou  transformava os produtos naturais. No período de transição, entre o primeiro e o segundo período, vislumbra-se um buraco negro, que caracteriza-se pela inexistência de mudança social, sem expressão e sem ideologia. Após este período, surgiu o capitalismo  e consequentemente, a consolidação do período industrial. Após exata consolidação que localiza-se nos dias atuais, com marcantes modificações sociais teremos o futuro, com a existência de um novo buraco negro; sem perspectivas de delineamento de uma historicidade social, por falta de perspectivas futuras.

Como a ciência é analítica, analisa o homem em o homem e sua ação, que pelo trabalho cria e toma espaço na natureza. O homem só domina aquilo a que teve acesso. Assim como o homem muda o mundo em que vive; também é mudado quando sofre mutação no processo de adaptação.

A natureza tanto é mudada pelo homem, como se auto transforma em seu ciclo normal de existência, sendo a mudança recíproca, há um movimento equilibrado. A mobilidade está em equilíbrio quando ambas as forças atuantes são absorvidas pelo sistema, ou seja, o conjunto natureza-homem está em perfeita harmonia. O homem ao transformar a natureza, forma o seu mundo; o mundo social, e cultural. Tanto o homem transforma a natureza, quanto é modificado por esta, em seu processo de adaptação ao meio. O homem é um ser que comunga com o universo. Quando o homem realiza modificações além do limite necessário a sua adaptação, surgem modificações que ferem o equilíbrio ecológico (o impacto). A capacidade de visão do homem determina o limite de sua interferência na natureza.

Acompanhando e historicidade da caminhada do homem, vemos que ele parte da explicação tecnológica para a metafísica e desta para o meio natural, chegando à forma positivista,  para ao final atingir a economia e o direito positivo, regimentando desta forma a conduta humana. O homem, atual, está entre o limite de Deus e a Natureza. Não havendo forma de lidar com Deus, que é materialmente inatingível, o homem trabalha com a ciência. Por meio da ciência o homem  age sobre a natureza.

Quando o homem iniciou sua interferência sobre a natureza,  ele não possuía condições técnicas de interferência a ponto de provocar desequilíbrio. Somente quando ele atingiu o desenvolvimento científico e tecnológico é que provocou danos à natureza, a ponto de provocar os danos irreversíveis.

Um dos primeiros desequilíbrios apontados pela história, encontramos na bíblia, como é o caso das epidemias, pestes e pragas, como a do gafanhoto. Na idade média, a concentração populacional traz novas epidemias, pela falta de higiene nos aglomerados populacionais. O mesmo aconteceu com o índio pela aproximação do não índio.

As enfermidades em que no seio dos grupos étnicos eram debeladas pelos mecanismos de autodefesa, foram propiciadas tanto pelo fato da aglomeração populacional como também das misturas de etnias. “Quando uma parte é desligada de um todo, ela não vai ser mais a mesma, porque não pertence mais ao todo” (JONES- 2000). Podemos dizer que não existe um ponto de equilíbrio perfeito. “Eu não posso passar duas vezes no mesmo rio” (ERACLITO). Para este pensador, as coisas devem ser analisadas no momento temporal. Cada momento possui o seu problemas e como tal, possui a solução adequada à sua época.

Os atos propostos pelo homem para recuperar a natureza, são utópicos. A natureza não recupera em um momento; mas ao decorrer de um longo período. A solução de um problema ambiental é ilusório. Assim como são ilusórios, os atos compensatórios. ( Proteger um bosque porque destruiu uma floresta)

O estado das coisas não são permanentes. ” Os fatos mudam e as coisas passam a ser outras ” (JONES- 2000 ).

” A vacina não cura a enfermidade ou epidemia, apenas ameniza o efeito ” (JONES – 2000 ).   Somente descobrindo e eliminando a causa é que podemos acabar com o mal (ex.: o foco de mosquito e a dengue).

Com a mecanização, o homem acelera a modificação da natureza, impedindo que esta complete o ciclo da recuperação. Com o aumento do índice populacional, aumentou também o ritmo de modificação da natureza. Quando a bíblia fala em sete anos de fartura e sete anos de miséria, nada mais é do que o início do desgaste da natureza, que levaria sete anos para completar seu ciclo de recuperação. A Odisséia de Olisses, é a repetição da história do esgotamento da natureza. Na Europa onde surgiram os primeiros e maiores núcleos de concentração populacional e o início do esgotamento da natureza, iniciou-se também o rodízio de cultura e o período de repouso das terras dedicadas às culturas. Tudo o que é em excesso, tanto no homem quanto no meio ambiente, impede a recuperação das modificações provocadas pelo impacto e a realizar o equilíbrio. O mecanismo natural de recuperação é simbiótico e necessita a troca entre os indivíduos e os elementos da natureza. Na relação social, além do fator ecológico existe o desequilíbrio econômico, quando as alterações são desproporcionais à capacidade de equilíbrio, surge o impacto. No tocante à produção, as alterações ocorrem em um espaço de tempo mais reduzido – uma safra – no entanto a recuperação do ambiente natural é mais lenta e difícil.

Como o homem conhece pouco sobre macro-cosmo e micro-cosmo, as suas alterações são de difícil recuperação.

Os tempos mudam o nível de conforto das classes mais favorecidas. As condições de bem estar exigidas pelas camadas sociais são relativisadas ao tempo histórico. Assim também as necessidades de modificação da natureza são inerentes à historicidade. As alterações realizadas hoje na natureza, para produzir alimentos são maiores que ontem, e as alterações futuras terão que ser maiores, para atender a nova tecnologia, tendo em vista uma maior demanda.

Com a evolução da sociedade, a utilização da natureza passa a ser não apenas em função de suas necessidades de sobrevivência mas também das necessidades culturais. Criou-se a ilusão de que todas as alterações na natureza são reversíveis. No entanto algumas reações químicas são irreversíveis na atualidade. A energia atômica e nuclear, provocam modificações cuja reversão é desconhecida pela ciência. Além da reversão ser impossível, seus efeitos são desconhecidos.

Um exemplo do limite da natureza, é o uso da água dos rios que cada vez mais torna-se mais imprópria ao consumo humano. Se o uso da água de um rio for superior a sua capacidade, este perde sua capacidade de recuperação, seja pelo consumo ou depósito de dejetos. A recuperação de um rio, só é possível a longo prazo. Como a degradação ocorre em curto prazo de tempo e a recuperação a longo prazo, a solução ambiental é evitar o dano.

O homem dever entender que surgiu como parte do universo, e não como um espectador e beneficiário deste. ” Como o homem é uma parte da natureza, ele não pode viver fora do todo e nem modificar o todo, mas sim conviver com o todo” (JONES – 2000).

Em todo o projeto de preservação temos que considerar que existem interesses diversos que vão implicar na sua execução eficiente. O uso e o não uso de pesticidas ferem interesses de grupos detentores do poder de dominação. Levando em consideração as dimensões global e cósmica, os programas de recuperação tornam-se muito distantes, por isso a importância de prevenir os danos ambientais utilizando adequadamente os recursos naturais.