Modelo de Projeto de Prevenção e Combate a Queimadas.

 

Adão de Jesus Ferreira

Introdução

Aqui não se trata basicamente de um projeto mas apenas conhecimentos básicos que devem ser seguidos em um projeto de proteção ambiental.

Ao pensarmos em projeto ambiental é bastante salutar começarmos com um conhecido chavão ambientalista; “ Devemos pensar globalmente e agirmos localmente”.

O objeto final de cada projeto deve ser com o espírito global. Quiçá cósmico.  Quando muitas ações locais tiverem sucesso, é certo que o resultado global também será eficiente, com prolongamento dos benefícios ao cosmo.

Quando uma iniciativa se propõe a um projeto ambiental, é primordial que se faça um rigoroso Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o respectivo Relatório de Impacto Ambiental (RIMA). Quando utilizamos o termo rigoroso, é porque não poderá faltar nenhum daqueles elementos considerados imprescindíveis pelos cientistas do setor. A compreensão do projeto maior, a mensuração do projeto considerando os seus aspectos químicos, físicos, bióticos, sociais, culturais e econômicos.

Quando nos referimos aos aspectos físicos, estão incluídas as condições anteriores e posteriores as ações. Não podem também ficar de fora a avaliação do uso ou não do solo. Na opção pelo não uso, deve ser para preservar as condições bióticas, ou recuperar as áreas degradadas.

Quando a decisão for pelo uso, então devem ser avaliados também os aspectos econômicos e sociais.

No projeto de Prevenção e Combate a Queimadas, a comunidade deve ter participação ativa dos “stakeholders (Partes envolvidas). Devem participar do projeto, os proprietários rurais, os posseiros, o Governo, e as entidades de interesse direto.

A parte científica e tecnológica do projeto compete aos técnicos do Governo e aos órgãos ambientais com interesse jurídico sobre o projeto.

A Parte inteligente deve contar impreterivelmente com uma universidade. Com prioridade aquela, cujo projeto estiver em área de abrangência extensionista   e com experiência com projetos na área.

A universidade como fonte de conhecimento, deve alimentar o centro de inteligência do projeto.

A multidisciplinaridade e interdisciplinaridade são fatores importantes no projeto. O coordenador do projeto (Ou Gerente) deve ser alguém que alem do idealismo ambientalista deve possuir conhecimentos gerais nas áreas técnicas e facilidade de comunicação. Alguém que tenha a capacidade de concatenar idéias e gerenciar decisões (FGV- Gestão de Projetos. 2012).

Uma das mais difíceis missões de um projeto e a mensuração e valoração do bem ambiental, quando este se fizer necessário.

Quando o projeto for fruto de uma decisão judicial (Falando-se de projetos em geral), é mister que se faça perícia ambiental e monitoramento das ações. Neste particular a mensuração e valoração do bem ambiental, são indispensáveis para uma conclusão e avaliação final.

A reunião multidisciplinar é importante para definir o objeto e avaliação do projeto. Decidido o rumo das ações, as atenções devem estar voltadas para as análises técnicas específicas. Localização geográfica, geologia, flora, fauna e hidrologia (Regime pluviométrico e vazão dos rios).

Síntese do Projeto

Em suma o Projeto de Prevenção de Incêndios e Queimadas, consiste em criar um “aceiro técnico” com incorporação da massa vegetal, combinada com o histórico pluviométrico da região.

O aceiro deve ser realizado, utilizando para isso uma máquina com capacidade de roçar, triturar e incorporar a vegetação até vinte e cinco milímetros (25 mm) de diâmetro. A roçadeira/trituradora deverá ter no máximo quatro (4) metros de envergadura e com um distribuidor de massa em cada trinta (30) centímetros que depositam a massa em um sulco aberto no solo, por um par de discos e incorporada por outro par de discos que seguem logo atrás, cujos detalhes daremos adiante.

Tendo como base o regime pluviométrico da região alvo, tomemos como referência a média dos últimos cinco anos.

O trabalho deve ser realizado um mês antes da última chuva sazonal (Variável conforme aconselhamento técnico) .

Dando como exemplo o Estado do Tocantins, em que a última precipitação ocorre na segunda quinzena do mês de maio, o aceiro deverá ser concluído na segunda quinzena do mês de abril (informações coletadas no ano de 2.000).

Justifica-se a intercalação do aceiro com a última chuva, para que a massa incorporada seja adensada pela próxima chuva e a rebrota e ou a semente germinada com a terra úmida ainda não possua massa seca em condições de queima.

A delimitação da área do aceiro, a priori, deve ser iniciada no perímetro da área maior; um parque, área de preservação ambiental, ou mesmo uma propriedade privada.

Onde houver mata densa o aceiro deve respeitar uma distância mínima de cinqüenta (50) metros da mesma, para evitar a destruição de pequenos exemplares da floresta em expansão (Esta distância deve seguir critérios de um engenheiro florestal). Outros procedimentos deverão ser tomados nesse sentido, conforme explicaremos adiante.

O acero deve respeitar a dinâmica do ecossistema. Em especial a dinâmica dos corredores ecológicos. Onde houver matas com intersecção natural, mas que estudos técnicos mostrem sua utilização como corredor ecológico, este deve ser preservado em uma largura tecnicamente recomendada, e com intersecção de um acero  convencional, ou seja, de cinqüenta (50) metros.

Não se pode negar que um aceiro em área de preservação vai causar um determinado impacto negativo, mas que será compensada por evitar um dano maior, a queimada.

Os defensores de queimadas afirmam com argumento simplista que ela é benéfica à natureza. Argumentam ainda, que a combustão natural ocorre constantemente, principalmente por raios (Sem a participação de ação humana).

Contrapondo-se a esse argumento, afirmam alguns cientistas que a combustão espontânea ocorre raramente. Sendo registrada uma queimada por combustão espontânea a cada cem (100) anos.

Durante as queimadas, quer sejam espontâneas ou provocadas, ocorre uma quebra muito brusca nas relações ambientais. Quer sejam na troca de energia, de benefícios, de simbiose, ou de reprodução de espécies. São fatores de troca que implicam na sucessão natural dos ecossistemas.

Na dinâmica do “acero técnico” (aquele programado tecnicamente), são preservados aqueles exemplares raros e de maior importância para o ecossistema.

Para estes casos em particular, o Estudo de Impacto Ambiental  (EIA) deve considerar e registrar no respectivo relatório (RIMA), minuciosamente, a ocorrência de espécies da flora e de criadouros da fauna; ninhos, tocas ou abrigos naturais que devam  ser preservados. Para maior proteção destes pontos de relevância para o ecossistema, os mesmos devem ser demarcados com bandeirolas com a finalidade sinalizar o limite da roçadeira.  Elementos estes que como é óbvio, não são respeitados pelas queimadas.

A presença de técnicos das áreas: biólogos, zootecnias,  engenheiros florestais, engenheiros ambientais são indispensáveis na execução do projeto. É também aconselhável, a presença de um “mateiro”, (Morador da região que conheça as espécies nativas). À frente da roçadeira devem ir um grupo de batedores ( Um número de dois (2) a quatro (4) conforme a necessidade. Os batedores devem tomar a dianteira dentro de uma distância razoável para melhor visualização para o operador da máquina.

A área de ação do projeto deve ser mapeada e demarcada em seus limites, bem como os pontos que por sua importância, devam ser preservados.

Com o acero técnico os focos de queimada que porventura ocorram não se alastram por toda a área. Os corredores acerados funcionam como barreira para o fogo.  Dessa maneira o fogo aprisionado entre as barreiras fica mais fácil de ser combatido.

Mesmo que ocorra a transposição do fogo pela barreira, a intensidade das labaredas será bem menor do que aquelas que costumam ocorrer em situação que não existe o aceiro.

Não será possível um impedimento total da expansão do fogo, já que muitos fatores vão implicar na eficiência do combate as chamas. Fatores como a precipitação pluviométrica, correntes de vento, a topografia do terreno e o tipo de vegetação possuem grande implicação na eficiência de combate a queimada.

 

Procedimentos de execução 

Estrutura de um projeto.

Conforme o PMBOK – “Project Management Body of Knowledge” (Manual de boas práticas em projetos), um projeto deve ser desenvolvido em 5 (cinco) fases:

  • Iniciação; define e autoriza o projeto ou uma fase do projeto.
  • Planejamento; define e refina os objetivos e planeja as ações necessárias.
  • Execução; integra as pessoas e os recursos. É a concretização da ideia.
  • Monitoramento e controle; mede e monitora a execução do projeto e as variações necessárias.
  • Encerramento; formaliza a aceitação do projeto, o serviço e a finalização conforme o objetivo. (FGV-Gestão de Projetos)

Os princípios básicos do procedimento, foram apresentados em um simpósio sobre conservação e recuperação de pastagens, promovido pela ONG “Pacto da Comunidade” (Já extinta) na cidade de Santa Maria-RS, no ano de 1966. O sistema além de evitar queimadas, possui outra finalidade, que é a de recuperar ou restaurar pastagens.

Fica bem claro que neste caso, o da recuperação ou de restauração de pastagens não haverá aceiro, e sim um corte extensivo (Desbaste) da pastagem.

Neste último caso, a pastagem aparada com a roçadeira realiza o rebrote bem mais homogêneo o que proporciona um melhor rendimento na criação. Quer seja bovino, ovino ou eqüino.

Desta forma, em que o objetivo é melhoria da pastagem, o corte deve ser realizado em áreas de um a cinco hectares, conforme a finalidade da utilização da pastagem. No caso, quando for a  melhoria ou recuperação da pastagem, aconselha-se um intervalo de quinze (15) dias entre o corte de uma área e o corte da outra (Ou a critério de um técnico em pastagens)

Descrição do Mecanismo Básico do Equipamento (Modelo experimental).

O equipamento a ser projetado, levando-se em consideração o trabalho a que deve desempenhar, assemelha-se tanto a uma colheitadeira quando a uma plantadeira (Semeadeira) em sua estrutura, ou  mecânica básica.

A máquina (Roçadeira) possui uma plataforma dianteira móvel acionada por um sistema mecânico que faz com que a mesma acompanhe as alterações do solo, ou acionada por um sistema de alavancas hidráulicas. As navalhas roçadeiras são protegidas por uma plataforma dentada que protege as lâminas contra pedras e troncos. A altura do corte é determinada pela altura da plataforma, que pode ser regulada para cada caso, mas que pode ser movida pelo operador.

A vegetação cortada é conduzida por um eixo com lâmina espiral e transportada por esteiras até o triturador que reduz a vegetação a um tamanho máximo de dois milímetros (2mm), uma maça em forma de farelo.

O sistema depois de triturar o material conduz o mesmo até as distribuidoras (Semeadeiras) que estão acopladas distantes vinte centímetros (20 cm) uma da outra.

O material triturado é depositado pelas distribuidoras (semeadeiras) em um sulco aberto no solo, por um conjunto de dois discos cortantes que não volvem as gramíneas (Apenas afastam as partes cortadas). Atrás das distribuidoras (Semeadeiras), outros dois discos executam o trabalho inverso, ou seja, fecham o sulco, já com o material dentro.

O fato de não revolver a leiva, facilita a recuperação da vegetação nativa, bem como a decomposição da maça incorporada (Aprisionada no sulco) e a minimizando a erosão do solo.

Os canais ejetores possuem um sistema de distribuição de sementes que incorporadas ao solo, recuperam a vegetação degradada e melhoram a pastagem.

Nota:

Aceito sugestão para melhorai do projeto.

*  Advogado, ex – Professor de Direito Ambiental da Universidade do Tocantins-UNITINS, Especialista em Gestão Ambiental- UFF/RJ, Especialista em Meio Ambiente e Desenvolvimento, UFRJ/RJ  Mestre em Extensão Rural e Licenciamento Ambiental -UFV,MG

Especialista em Gestão de Projetos- FGV.

 

Bibliografia

SANTOS.P.  Crime Ecológico – Goiania.1996

SILVA. E. Avaliação de Impacto Ambiental- UFV. 1998

PERELMAN. Chaim. Ética e Direito- 1996

LEME. Paulo Afonso. Direito Ambiental Brasileiro -1998

GRAZIERA. M.L.M. Direito das Águas e Meio Ambiente- 1993

BRASIL. Conselho Nacional do Meio Ambiente – RESOLUÇÕES

www.sjc.sp,gov.br/sma- Combate a Queimadas

www.educambiem.com.br/prevenção contra queimadas

FGV- Gestão de Projetos. 2012

PACTO DA COMUNIDADE. S.Maria-RS- Simpósio sobre Conservação de Pastagens- 1966

Agricultura Orgânica

Adão de Jesus Ferreira

Agricultura Orgânica.

Um Breve Histórico.

 

Como é de nosso conhecimento a agricultura no mundo, teve seu início como tal, a mais ou menos 7.500 anos, na região que hoje se encontra o Egito.

Nessa mesma época o homem iniciou a domesticar animais como a cabra e a vaca. Nos primeiros passos de domesticação de animais, estes não eram para o abate e sim com a finalidade de aproveitamento do leite e tração para o trabalho de cultivo. No entanto, continuavam a utilizar a caça  de animais selvagens para a alimentação. Foi somente com a escassez da caça que o homem passou a utilizar a carne de animais domesticados.

A domesticação de plantas iniciou com a coleta de alguns exemplares que eram replantados próximos a seus acampamentos. Com a necessidade de cuidar de sua plantação, foi necessário que ele fixasse sua residência próxima a esses locais, abandonando sua condição de nômade. E, foi para se proteger contra inimigos e ladrões e usando seu instinto agregatório que construíram suas primeiras aldeias.

Com o desenvolvimento da agricultura, e consequentemente o aumento da produção de alimentos, o homem teve maior facilidade em alimentar seus filhos, aumentando a prole e a expansão demográfica.

Com a utilização de animais de tração e um arado rudimentar iniciou o preparo do solo para o cultivo. Nesta mesma época surgiram os primeiros ensaios de irrigação. Com a experiência até aqui adquirida, percebeu que o esterco dos animais que viviam próximos aos locais em que plantavam servia de adubo para melhorar a produtividade.

Desde o início da agricultura o homem começou a sofrer o ataque de pragas, e presume se que um terço da produção de alimentos eram destruídos por estas, até a década de 1920.

Uma das primeiras manifestações sobre melhoramento da agricultura da era moderna surgiu em 1924, com o Cientista e Pesquisador, Rudolf Steiner.

Rudolf Steiner foi quem criou a agricultura biodinâmica. Esta prática incentivada pelo Dr. Steiner fundamenta-se na relação agrícola com o Cosmo. Dentre os ensinamentos desta prática, coloca como eixo central a interação dos seres da terra, com o movimento dos astros e as fases da lua. Algumas destas práticas eram conhecidas por nossos antepassados que por instinto ou intuição a praticavam.

O agricultor sempre foi um bom observador e procurou acompanhar o comportamento da natureza para adequar a ela o ciclo de sua produção, tanto dos produtos agrícolas propriamente ditos, quanto o  da pecuária.

No Brasil, o plano de desenvolvimento industrial dos anos 70 criou ritmo de migração acelerada do homem do campo para cidade em busca de emprego fixo na indústria e construção civil, onde tinham carteira assinada e previdência social. Este fato ocasionou uma grande queda no índice de produção agrícola. Em 1980 já era menos de 10% a participação da agricultura, na Renda Nacional.

Esta retirada do trabalhador rural obrigou o governo criar estímulo da produção de gêneros, fomentando o aumento da fronteira agrícola. Foi nesse momento, que ficaram esquecidos os princípios de convivência da agricultura com o meio ambiente. Com a necessidade de resultados econômicos, ocorreu o desmatamento e o uso de pesticidas para garantir a produção de bens.

A indústria de insumos agrícolas, em especial as de agrotóxico, procurava induzir os técnicos e agricultores a utilizarem esta tecnologia com o fim de criar maior demanda a seus produtos- o da indústria química-. Entusiasmados pela promessa de lucro fácil, o agricultor iniciou a utilizar indiscriminadamente esses produtos, sem o devido cuidado com a saúde e com o meio ambiente.

Com o aumento do uso indiscriminado dos defensivos agrícolas, mais propriamente os agrotóxicos, foi necessário disciplinar o setor, o que foi feito através da Lei Nº 7.802 de 11/7/ de 1989. Esta lei estabelece um marco na tentativa de frear o uso indiscriminado desses produtos.

A indústria química investiu pesado no setor, para o convencimento do agricultor no uso de seus produtos – Os agrotóxicos-. Aqui nos referimos também aos Produtos Geneticamente Modificados – OGMs-, os conhecidos Transgênicos. Lembrando que o primeiro produto a ser plantado com esta modificação foi a soja, seguida pelo milho.

É importante que o consumidor fique sabendo; a técnica transgênica consiste em alterar a parte genética da planta, introduzindo na semente um gene de uma bactéria que torna a planta resistente ao uso de um forte agrotóxico (Veneno). Com a planta resistente, é possível pulverizar este veneno na lavoura matando todas as pragas sem danificar a planta geneticamente modificada. O problema é que junto com as lagartas que atacam a planta, e as ervas ditas daninhas que prejudicam seu desenvolvimento, também são exterminadas outras espécies, como abelhas e outros insetos polinizadores, inimigos naturais, ervas medicinais e toda a vida do solo.

Muitos pomares que ficam próximos a locais onde acontece a pulverização aérea de agrotóxicos já não conseguem fecundar a flor impedindo o desenvolvimento do fruto.

O que fazer, já que a ganância, o desejo de enriquecimento rápido inibe o bom senso de alguns agricultores? Estes ao lançarem a semente ao solo já comercializam o produto da colheita e se obrigam a garantir a produção da safra, pois já receberam antecipadamente o valor da mesma.

Sobre este tema, concordamos com as palavras do Dr. Steiner -1924; “O agricultor ao lançar a semente ao solo, deve o fazer com o único intuito, o de ver germinar a semente e desenvolver a planta para garantir o alimento; fora disso o objetivo será incoerente”.

Cremos que uma agricultura familiar com um cultivo que se ajuste ao ritmo da natureza, de  forma a produzir alimento saudável e nutritivo, compensando o agricultor, já existe. Basta para isso querer produzir alimento e não dinheiro. O dinheiro virá depois com os excedentes da colheita.

Já existem mecanismos legais e técnicos que garantem um controle seguro para produzir e ofertar produtos de qualidade orgânica. Associações e Cooperativas de produtores orgânicos podem criar selo de qualidade devidamente certificado. Também uma assistência técnica eficiente fará com que o agricultor do sistema de produção orgânica tenha um bom desenvolvimento e fique estimulado a permanecer na atividade.

Conforme define o Instituto Agronômico do Paraná; “agricultura orgânica é aquela que procura chegar o mais próximo da natureza”. Por isso, ela exclui o uso de agrotóxicos, fertilizantes solúveis, hormônios e qualquer tipo de aditivo químico.

Um dos maiores males provocados ao meio ambiente, é a eliminação de muitas espécies consideradas prejudiciais na lavoura, são na realidade predadores de pragas e plantas medicinais que poderiam ser úteis ao homem.

Reafirmamos que a Agricultura Familiar é o caminho mais eficaz para criar definitivamente uma política de agricultura orgânica; também denominada agricultura alternativa. Este modelo de agricultura possui entre os seus maiores defensores, o Agrônomo José Lutzemberguer, que em 1976 lançou o movimento intitulado; “o fim do futuro”, onde propunha uma agricultura mais ecológica. Este movimento por uma Agricultura Alternativa teve um grande desenvolvimento nos anos 80.

Em 1999 surgiram as primeiras normas de controle de certificação de produtos orgânicos, através da Instrução Normativa 007/99, do Ministério da Agricultura, instrumento que disciplina a produção, transporte e venda de produtos orgânicos.

As Entidades Públicas, as Não Governamentais-Associações e Cooperativas-, possuem a competência de realizar inspeções periódicas nos produtos em locais de produção e venda, com o fim de emitir o certificado. Com estas estruturas a seu alcance torna-se   fácil ao agricultor obter o certificado de garantia de qualidade, já que ele costuma frequentar essas entidades. Além de comprovação de que os produtos orgânicos estão isentos de agrotóxicos, devem garantir de que sua produção segue as normas ambientais, e que o pr segue as leis trabalhistas e garante as condições sociais do trabalhador. O consumidor também deve observar o cumprimento destas normas pelo vendedor, para garantir que o produto adquirido possui as características de produto orgânico.

Em uma avaliação ampla do sistema produtivo, creio que temos condições de produzir alimento saudável, livre de transgênicos e agrotóxicos, basta seguirmos a política da Agricultura Familiar e exigir dos produtores e fornecedores as garantias de qualidade. Se nós conseguirmos segurar o pequeno produtor no campo, é certo que ele nos fornecerá o alimento saudável de que tanto queremos e necessitamos.

 

 

Agricultura Familiar e Produto Orgânicos

Adão de Jesus Ferreira

As Pragas na Lavoura – Histórico

Acredita-se que as pragas do Egito (Como cita a Bíblia) que antecedem ao Êxodo do povo hebraico, aproximadamente  1.250 anos AC tenha a justificativa científica, já por ter ocorrido um desequilíbrio do meio ambiente. No caso da invasão dos gafanhotos, das rãs e das pestes tenham ocorrido por desequilíbrio ambiental e falta de higiene nas aglomerações humanas.

São também dignas de comentário as técnicas do Dr. Rudolf Steiner que em 1920, percebendo a dificuldade dos agricultores da região (Alemanha), em melhorar a sua produção agrícola, através de uma pesquisa em que reunia conhecimentos de biologia e astronomia, criou o método produtivo denominado “agricultura biodinâmica”. Para difundir a sua tecnologia o Dr. Steiner consegui reunir no castelo de Koberwitz em Breslau na Alemanha, cerca de 300 produtores agrícolas, na sua maioria nobres da Alemanha e Suíça, para apresentar suas técnicas de produção agropastoril. Seus experimentos baseavam-se nas forças magnéticas do Cosmo, Biologia e Forças espirituais.  O Dr. Steiner fundou uma entidade que pregava a relação dos seres da Terra com o Cosmo. Quando alguém  contestava sua teoria por ser fundamentada em “crendice”, ele apenas respondia – os senhores podem até afirmar que seja crendice, mas aconselho a testar em suas propriedades, depois de digam se funcionou ou não . Alguns desses ensinamentos chegaram até nossos tempos; plantar e colher em determinadas fazes da lua. Quem já não ouviu falar no Almanaque do Pensamento, que possuía um calendário para o cultivo de plantas conforme o período mais próximo ou distante de determinado astro.

Não podemos também deixar de tecer algum comentário sobre o período histórico da nossa agricultura em que surgiram os famosos “agrotóxicos” , que na época, a partir de 1940  surgiu como grande descoberta, que poderia acabar com a fome da humanidade, acabando com as pragas da lavoura. Longe estávamos em saber que estas ditas pragas na verdade, são apenas pequenos seres que podem conviver com nossas plantações harmoniosamente e até mesmo de forma simbiótica com as diversas cultivares.

No entanto a crença de que o uso de agrotóxico veio para acabar com a fome no mundo, apregoada pelas indústrias químicas que produzem os mesmos, conseguiu difundir o seu uso a custa de maciça propaganda enganosa. As grandes indústrias de agrotóxicos (Venenos)- Que eles denominam de “defensivos agrícolas” mantêm estes produtos no mercado a custa de “lobs” e demandas judiciais. O uso indiscriminado desses produtos tem matado ou tirado a saúde de muitos agricultores.

Associada aos agrotóxicos, outra técnica que silenciosamente vem comprometendo a saúde da população, é a transgenia. Estes produtos denominados “transgênicos”, são totalmente alienígenas, não pertencem a nenhuma categoria ou espécie encontrada no globo terrestre.

Temos que lembrar novamente o texto bíblico, agora no “gênesis”.  Podem dispor de todas as plantas da terra; mas não toquem na árvore da vida (A genética – formadora da vida -)

O organismo do ser humano levou 10.000 anos para ajustar-se aos alimentos que hoje dispomos. Assim precisaremos outros tantos para que possamos nos ajustar aos ditos  transgênicos. E agora os seus produtores não querem que saibamos onde eles estão nos mercados (Para que possamos nos envenenar sem saber), retirando do rótulo o símbolo (T) de transgênico (É um Projeto de Lei aprovado na Câmara dos Deputados e está para ir ao Senado). Este símbolo identifica a característica (Transgênico). E eles realmente fazem mal a saúde, é o que dizem os pesquisadores; como afirmam diversos médicos cientistas contemporâneos.

Encerrando o nosso comentário, queremos enaltecer os produtores da Agricultura Familiar que não medem esforços para colocar na prática os conhecimentos sobre a produção de alimentos orgânicos, livres de agrotóxicos e de transgênicos devidamente saudáveis. Os produtores orgânicos em especial da Agricultura Familiar podem ser a solução para que tenhamos produtos saudáveis na nossa mesa. Já que o grande produtor só pensa em retorno financeiro e exportação de de “comodities”.

Meditação: MÉTODO KROMA DE INDUÇÃO DA MENTE

 

 

Cap. Carlos Fail

Psicólogo do Exército

                                                                         

Caminho

1-      Posição: – Deitar de costas na cama ou em um tapete, com os braços estendidos ao longo do corpo. Se preferir pode sentar em uma poltrona, em posição confortável, com as mãos sobre os joelhos. Pode  também sentar sobre um tapete, em posição de atha-yoga.

Recomendação:- Retire óculos e qualquer outro objeto metálico como relógio e pulseiras.    Se estiver próximo (a)   de outra pessoa, fique a uma distância mínima de trinta centímetros (Dois palmos) aproximadamente.

Procure evitar qualquer tipo de pensamento que possa ocupar sua atenção.

2-      Conte mentalmente e lentamente  até 21 e retorne a contagem regressivamente até um.

3-      Recomece a contagem inspirando lentamente pela boca e expirando pelo nariz (Desta vez, sem contagem regressiva).

4-      Repita a contagem com respiração até sete.

5-      Repita até três.

6-      Procure mentalizar você em um lugar calmo, que você goste muito de estar – a margem de um rio, no pico de uma montanha, ou até mesmo um quarto. –Atenção- (Nesse momento você pode fazer uma oração , a que preferir)

7-      Comande todas as partes do corpo, mentalizando cada parte, para  que façam um relaxamento muscular, da seguinte forma e seqüência:- a) dedos do pé esquerdo, relaxar. -b) dedos do pé direito, relaxar. -c) músculos do pé esquerdo, relaxar. -d)músculos do pé direito, relaxar. – e) tornozelo esquerdo, relaxar. – f) tornozelo direito, relaxar.- g) músculos da perna (canela) esquerda, relaxar. – h ) músculos da perna (canela) direita, relaxar. –i ) joelho esquerdo, relaxar. – j ) joelho direito, relaxar.- k ) músculos da coxa esquerda, relaxar.- l ) músculos da coxa direita;  relaxar.- m ) músculos  dos quadris, relaxar. –n ) músculos do abdômen, relaxar. – o ) músculos inter-costais, (entre as costelas), relaxar. –p ) músculos das costas, relaxar. – q ) músculos dos ombros, relaxar -r )    músculos do pescoço, relaxar.- s ) músculos do rosto, relaxar. –t ) músculos da nuca  relaxar. –u ) todos os músculos e nervos do corpo, relaxar.

8-      Invocar o Criador do Universo, para que envie toda a energia do universo  para conseguir comandar a mente para atingir os objetivos.

9-      A partir desse momento, tente comandar um braço, depois o outro para levitar (Sem usar os músculos voluntários) –“braço esquerdo, levitar até a vertical. Braço direito, levitar até a vertical”.

10-   A partir desse momento, você está com a mente fora do corpo (Em estado alfa). Em sua frente, há um ambiente claro. Neste ambiente existem três portas  com luzes mais fortes. Uma porta é de cor azul e resolve questões de saúde. Entre nessa porta e vai encontrar uma maca, deite  nela e ordene a mente curar determinada enfermidade(Sua ou de outra pessoa), levitando uma das mãos (Sem usar os músculos voluntários, apenas com o comando da mente) em direção a parte enferma(Caso a enfermidade for sua).  A segunda porta é de cor laranja avermelhada. Nesse ambiente são resolvidas questões de amor e sentimentos.  Entre nessa porta, e vai encontrar uma poltrona. Sente nela e converse com sua mente, ordenando que resolva determinada questão de amor ou outro sentimento. Na terceira porta a luz é totalmente branca. É a porta da sua vida pregressa. Ali você vai encontrar uma escada que leva  até o infinito. Primeiro esta vida até o nascimento, e depois as outras vidas. Ordene a sua mente que leve você aonde você quiser. Aí nesse trajeto, você pode encontrar amigos e inimigos. Procure então resolver questões pendentes e conselhos.  IMPORTANTE:  para a escolha da porta, você precisa receber do universo, uma luz que vem em sua direção. Conforme a cor da luz é a porta que você vai entrar (Aguarde a vinda da luz de seu desejo).

11-   ATENÇÃO:  Quando você entrar nesse compartimento iluminado, entra também em plano “Teta”, que é um plano mais elevado, semelhante  ao sono. Pode acontecer que realmente você adormeça, o que é comum e vai acordar normalmente como se estivesse dormindo.

12-   ALTERNATIVA:  Você pode optar por não entrar nesse   compartimento iluminado e realizar suas ações com a mente, naquele primeiro ambiente em  que você escolheu para meditar. Aguarde a luz que virá em sua direção e esse é o momento de fazer o pedido.

13-   REVITALIZAÇÃO:  Se no momento da levitação faltar forças, invoque os elementos da natureza; rocha, água e o vento para que lhe enviem energia. No entanto  não é necessária a levitação, pode permanecer apenas em estado de relaxamento.

14-   FINALIZAÇAO: Depois de realizar a operação mental, abra os olhos,   esfregue as mãos e se possível lave as mãos em água corrente (Pode ser na torneira). Este procedimento serve para equilibrar a energia do corpo.

ESCLARECIMENTO ÚTIL:

Depois de adquirir prática de mentalização você pode apenas se concentrar, esfregar as mãos durante us trinta segundos e já está em condições de usar sua energia  mental para realizar pequenas ações, como curar uma dor em outra pessoa, bastando para isso impostar as mãos (Estender as mãos sobre a parte enferma e determinar a cura).

“ A Paz esteja  com você”

“Mea culpa mea culpa mea máxima culpa”

Mea culpa, mea máxima culpa“. É o que deve estar na mente de cada um neste momento em que sofremos as conseqüências dos desequilíbrios ambientais.

Tudo isto vem de centenas de anos, até de milênios, quando o ser humano iniciou sua jornada através do globo terrestre. Reportado-nos aos primórdios dos tempos, observamos que o homem iniciou sua devastação tão logo descobriu que era mais capaz que os outros seres, por ser o único a possuir inteligência evolutiva. Inicialmente utilizou de sua inteligência para adaptar-se ao meio, para logo depois modificar o ambiente para adaptá-lo  às suas necessidades.

Enquanto a população mundial possuía um baixo índice populacional, os danos ambientais também eram baixos, e a natureza possuía a capacidade de auto regenerar-se. Ao explorar exaustivamente os recursos naturais, o homem deixou a condição de integrante dos ecossistemas para apenas usar e esgotar os recursos naturais e colocar-se numa posição de usuário predador.

O indígena brasileiro sempre conseguiu integrar-se a natureza. Por sua característica nômade, após extrair de uma região, o necessário para seu sustento (não era muito exigente), migrava para outro local, dando oportunidade a que aquele ecossistema se auto regenerasse. E assim as ações iam se sucedendo e o ambiente recuperando-se. Este equilíbrio foi logo desaparecendo com a infiltração do não índio que passou a ocupar predatoriamente o ambiente natural.

Em alguns lugares privilegiados, ainda existe um ambiente natural onde podemos constatar o equilíbrio e harmonia entre os elementos que compõem o ecossistema (alguns destes, já transformados em reservas biológicas). A medida que o homem explora a natureza despreza seus valores e passa a valorizar outro bem; o bem econômico. Uma desenfreada corrida competitiva em busca da riqueza, cega o homem, fazendo com que ele despreze aquilo que outrora fora o seu habitat.

As formas erradas de uso dos recursos naturais tornam o solo erodido e árido, os rios assoreados e os mananciais drenados, matam os seres micro e macrobióticos indispensáveis ao equilíbrio da biodiversidade.

Os estudos bíblicos nos mostram de forma mística os primeiros registros de desequilíbrio ambiental, conhecido como “as sete pragas do Egito”- a diminuição de um predador favorece a super população de outro (o predado), assim como os sete anos de dificuldades se seguem depois de sete anos de fartura – pelo esgotamento do solo.

A destruição das matas ciliares (à margem dos rios lagos e vertentes), os desmatamentos, as queimadas e a monocultura em grandes extensões (e por longo período), são práticas predatórias que sustentam o nosso modelo econômico. O excesso de uso da água dos rios para irrigação são as principais causas do desequilíbrio no regime hídrico e por conseqüência deixam o solo árido.

Como medida preventiva, uma parte dos lucros da agricultura (aqui está incluída a pecuária), deve ser investida em medidas preventivas, mitigatórias e compensatórias. É oportuno citar aqui o que diz Merico, L.F.K. (Introdução à Economia Ecológica) -”Investir no capital natural é essencialmente um investimento de infra-estrutura: a infra-estrutura biofísica do ambiente natural. Investir na infra-estrutura biofísica do planeta, significa manter a produtividade de todos os investimentos econômicos prévios por meio da reconstrução dos estoques de capital natural que se tornaram limitativos”.  Os rios (sangas ou riachos), açudes e vertentes devem ser protegidos por mata ciliar (se necessário, com reflorestamento de plantas nativas), e no caso da pecuária, deve ser feito o cercado, limitando a área de preservação legal (para evitar a ação predatória do pisoteio dos animais), deixando pequenos espaços para bebedouro. Se (nas lavouras) em cada duzentos metros, preservar-mos uma faixa de dez metros de vegetação natural, em forma de curva de nível, estaremos evitando a erosão do solo e conseqüente assoreamento do leito dos rios, e também conservando a umidade do solo, pela retenção da água pluvial. Essas faixas de vegetação em curva de nível são importantes para reter o solo fértil, evitando também o assoreamento dos corpos d’água e sua contaminação por agrotóxicos. A faixa de vegetação natural, cria um corredor ecológico de ligação entre os nichos, o que facilita a migração da fauna.

Toda a plantação irrigada deve possuir um reservatório (açude), para suprir a lavoura em período de estiagem, ou mesmo em período normal, evitando assim o esgotamento dos rios, e consequentemente afetando sua piscosidade, e até mesmo a perenidade. A ictiofauna e a flora aquática são vitais para perenidade dos corpos d’água.

Segundo o professor  Dr. Guido Ranzani, (1998) a riqueza orgânica do solo, é importante para melhor absorção dos elementos químicos pelas plantas. Uma monocultura prolongada propicia a morte do solo, e ele já não responderá às aplicações de adubos químicos.

Uma outra prática prejudicial ao solo, é a irrigação por alagamento, que se for feita por um período prolongado, provoca a salinização do solo. A salinização do solo, também é um fator impeditivo do aproveitamento dos elementos químicos pelas cultivares.

Na zona urbana existem outras formas de preservação ambiental. A coleta seletiva de lixo, a destinação adequada de resíduos sólidos e líquidos – incluindo tratamento de esgoto. O aproveitamento e a retenção da água pluvial exercem papel preponderante no controle das enxurradas que provocam erosão, e das enchentes que causam alagamentos e destruição. O aproveitamento da água da chuva em cisternas (para ser utilizada em limpeza e regar as plantas), é uma forma de economizar água tratada. A sobra da água coletada do telhado pode ser direcionada para sumidouros (vala de 40 centímetros de diâmetro por 50 de profundidade, cheia de brita e coberta de areia- o comprimento vai depender da disponibilidade do terreno). Desta forma, a água da chuva tem seu escoamento retardado, infiltrará no solo, mantendo a terra úmida e alimentando o lençol freático. (Esta é uma medida que deveria ser normatizada e exigida para prédios públicos).

Ainda com relação a retenção da água pluvial na área urbana, o Poder Público Municipal poderá planejar formas de reduzir a área coberta por asfalto, nas vias públicas, colocando uma faixa de paralelepípedo (ou produto similar),  junto ao meio fio, que por menor que seja a infiltração, ainda assim será uma grande contribuição, considerando o somatória de todas as vias públicas – o ideal é que todo o leito da rua seja coberto por esse sistema. A forma como isto poderá ser feito, é um trabalho para a engenharia urbanística e de competência da municipalidade.

Estes projetos preservacionistas, podem ser orientados pelos técnicos da EMATER ( na zona rural) e por um engenheiro ambiental no perímetro urbano. Existem algumas linhas de crédito bancário com esta destinação, bem como fundações voltadas à questão ambiental, que financiam projetos de recuperação e ou preservação. Projetos regionais e cooperativistas podem ser propostos com a cobertura do Ministério do Meio Ambiente e do Banco Mundial.

Algumas dessas medidas possuem exigência legal e podem ser provocadas por meio de uma Ação Civil Pública e acionadas pelo Ministério Público, por meio de uma representação, por tratar-se de um Direito Difuso


1 Advogado, ex – Professor de Direito Ambiental da Universidade do Tocantins-UNITINS, Especialista em Gestão Ambiental, Mestre em Extensão Rural e Licenciamento Ambiental

2  Bióloga, Mestre em Biociências e Doutora em Controle de Insetos

Revisado em 1º de novembro de 2011.

Mensagem ambientalista

Aos Companheiros Rotarianos.

 

Senhor Presidente. Companheiros.

 

Foi a ampla vivência como professor de Ed. Física, ainda no Rio Grande do Sul, que despertou em mim o amor pela vida ao ar livre e atividades dinâmicas e a valorizar o convívio com a natureza.

Foi no árduo exercício da advocacia que abracei a luta pelos direitos dos seres humanos para que tenham um ambiente saudável. Luta esta que teve grande impulso quando fui admitido como professor de Direito Ambiental da Universidade do Tocantins (UNITINS).

De imediato recebi a incumbência de coordenar a área jurídica do Projeto do Rio Formoso (Projeto de agricultura irrigada, usando tecnologia ecológica) no afluente do rio Tocantins.

Participei do Projeto de Desenvolvimento Preservacionista da Bacia do Rio Taquaruçú (Bacia que abriga os principais mananciais da periferia de Palmas a Capital do estado.

Participei, junto com a minha esposa, Profa. Ana Margarete, sendo a mesma coordenadora, do Projeto de desenvolvimento social da comunidade do Lageado, comunidade atingida pelas obras da Hidrelétrica do mesmo nome. Participei também em companhia da Prª Ana Margarete, do projeto de mapeamento das grutas e cavernas do estado, projeto este da Secretaria de Turismo do Estado de Tocantins em convênio com a UNITINS.

Participei ainda do Projeto Caminhada da Ilha do Bananal, projeto da UNITINS, também coordenado pela Prª Ana Margarete. Projeto que tinha a incumbência de facilitar o convívio das comunidades indígenas no processo de desenvolvimento social e cultural.

Já de volta ao RGS, trabalhei com projetos sociais na Prefeitura Municipal de São Luiz Gonzaga, destacando-se entre outros o projeto financiado pelo CNPq, “Cooperativa dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis de São Luiz Gonzaga”, também coordenado pelo Pra Ana Margarete.

 

Senhor Presidente, Companheiros.

 

Foi esta trajetória social e ambientalista que me induziu ao caminho crítico a pesquisa científica no âmbito sócio-ambientalista.

Fiz o curso de Mestrado na Universidade de Viçosa MG, com dissertação sobre a Hidrelétrica do Lageado- Um questionamento socioambiental sob a ótica da Sociologia do Direito.

Diz a Bíblia: (Gênesis) Deus criou o Céu e a Terra. Havia trevas sobre o abismo, mas o espírito de Deus pairava sobre a face das águas.

Diz a Ciência: o Universo era um caos. Mas uma grande energia e o espírito da vida já pairavam sobre o caos.

Por obra de Deus ou do acaso, aconteceu uma grande explosão. “O big bang”.

Foi o momento da reorganização dos elementos que se combinaram formando o cosmo com sua monumental estrutura que conhecemos. O universo com todas as suas galáxias e a terra que hoje habitamos.

Hoje sabemos que não estamos isolados na terra, que aqueles elementos que formaram o universo, são os mesmos que compõem os seres que habitam a terra formando um único corpo, o cosmo.

Para Teilhard de Chardin, (Cientista francês da nossa era), o cosmo é infinitamente grande na sua plenitude e infinita mente pequeno na sua singularidade, o átomo.

Citando Leonardo Boff (Teólogo, Filósofo e Ambientalista contemporâneo) “O homem interexiste e coexiste com os outros seres no mundo e no universo e não quer reconhecer esse vínculo”. A terra e nós somos um mesmo ente cósmico.

O ser humano se colocou fora e acima da natureza. E por estar assim afastado não se importa em preservar o ambiente em que vive. Este ser que somos nós, vê a natureza como um meio pelo qual ele pode realizar seus  sonhos de vaidade, capricho, luxúria e poder.

É o antropocentrismo ancestral e individualismo visceral que faz o homem dirigir-se assustadoramente para o caos.

A terra só existirá se soubermos conservá-la. E nós só existiremos se a terra existir. Mas esse axioma é imperceptível à fraca sabedoria humana.

Mas, se nós os seres humanos, pudermos ver como expectador crítico, podemos então ver o “dia-bólico” (O que separa) e o sim-bólico (O que une) que convivem com nossa existência.

 

Mas…companheiros, ainda podemos seguir o caminho da regeneração. Para tanto devemos aceitar a simbiose homem-natureza, e o simbolismo homo-cosmo e que o homem, este ser humano, valorize a comunidade dos homens,  valorizando a familiaridade singular e social.

Hoje o planeta vive em um momento competitivo e não cooperativo. Os que se julgam mais fortes subjugam e matam em nome dessa competição ferrenha e perversa.

Somente através da cooperação é que podemos planejar e executar ações a médio e longo prazo e assim compartilharmos a coexistência com o planeta e com o cosmo.

A ordem geral ditada pelo poder econômico é ir se necessário, aos confins do planeta, solo, ar e subsolo e carrear riquezas para nossa comuna, e mais precisamente para as contas bancárias.

Nós herdamos de Adão bíblico o antropocentrismo dominativo, em que o homem detém o poder absoluto sobre todas as coisas e seres vivos da natureza. Para aguçar mais a cobiça do “homo sapiens”, (Homem inteligente) ou “homo demens” (Homem sem inteligência), criou-se a antiga mitologia em que Prometeu (Divindade da mitologia grega) roubou o fogo do céu e entregou ao homem.

Este ser humano que somos hoje se afastou da convivência com a mãe terra. Arrancamos as riquezas do seu solo e sugamos a sua seiva que sustenta a vida. Este ser humano de hoje, emergiu por volta de 30 a 40 mil anos atrás, o homo sapiens. Desenvolveu-se rapidamente e expandiu-se por todos os quadrantes da terra. Aprendeu a adaptar-se em todos os ecossistemas, modificando o ambiente em que vive e construindo grandes civilizações, até a nossa era tecnológica.

Ainda há esperança; com o evento da globalização que a humanidade chegue a conclusão de que não é a luta pela conquista que salvará o universo, mas a luta pela união de todos em busca do equilíbrio global e cósmico.

Para terminar quero lembrar aquele velho “chavão ambientalista” – devemos pensar globalmente e agir localmente.

Consulta bibliográfica:

Teilhard de Chardin , Pierre.

O fenômeno humano- Ed. Cutrix-SP.2006

Boff, Leonardo.

O despertar da águia- Ed. Vozes- RJ. 1998

Machado, Paulo Afonso L.

Direito ambiental brasileiro- Ed. Malheiros – SP.1998

Ferreira, Adão de Jesus

Um questionamento sócio-ambiental sob a ótica do direito- UFV-  MG. 2002

A QUESTÃO ECOLÓGICA x DOMINAÇÃO

O debate sobre o problema social, está sendo direcionado da realidade econômica para a questão ecológica, por estarem englobadas em um único afã; o bem estar social.

O tempo marcou na história, com ranhuras profundas a direção da conduta humana. No período inicial da civilização, até o século XVIII, foi a época da economia natural; em que o homem extraia da natureza o necessário a sua subsistência. Após esse período, tivemos o período industrial e produtivo; em que o homem beneficiava e ou  transformava os produtos naturais. No período de transição, entre o primeiro e o segundo período, vislumbra-se um buraco negro, que caracteriza-se pela inexistência de mudança social, sem expressão e sem ideologia. Após este período, surgiu o capitalismo  e consequentemente, a consolidação do período industrial. Após exata consolidação que localiza-se nos dias atuais, com marcantes modificações sociais teremos o futuro, com a existência de um novo buraco negro; sem perspectivas de delineamento de uma historicidade social, por falta de perspectivas futuras.

Como a ciência é analítica, analisa o homem em o homem e sua ação, que pelo trabalho cria e toma espaço na natureza. O homem só domina aquilo a que teve acesso. Assim como o homem muda o mundo em que vive; também é mudado quando sofre mutação no processo de adaptação.

A natureza tanto é mudada pelo homem, como se auto transforma em seu ciclo normal de existência, sendo a mudança recíproca, há um movimento equilibrado. A mobilidade está em equilíbrio quando ambas as forças atuantes são absorvidas pelo sistema, ou seja, o conjunto natureza-homem está em perfeita harmonia. O homem ao transformar a natureza, forma o seu mundo; o mundo social, e cultural. Tanto o homem transforma a natureza, quanto é modificado por esta, em seu processo de adaptação ao meio. O homem é um ser que comunga com o universo. Quando o homem realiza modificações além do limite necessário a sua adaptação, surgem modificações que ferem o equilíbrio ecológico (o impacto). A capacidade de visão do homem determina o limite de sua interferência na natureza.

Acompanhando e historicidade da caminhada do homem, vemos que ele parte da explicação tecnológica para a metafísica e desta para o meio natural, chegando à forma positivista,  para ao final atingir a economia e o direito positivo, regimentando desta forma a conduta humana. O homem, atual, está entre o limite de Deus e a Natureza. Não havendo forma de lidar com Deus, que é materialmente inatingível, o homem trabalha com a ciência. Por meio da ciência o homem  age sobre a natureza.

Quando o homem iniciou sua interferência sobre a natureza,  ele não possuía condições técnicas de interferência a ponto de provocar desequilíbrio. Somente quando ele atingiu o desenvolvimento científico e tecnológico é que provocou danos à natureza, a ponto de provocar os danos irreversíveis.

Um dos primeiros desequilíbrios apontados pela história, encontramos na bíblia, como é o caso das epidemias, pestes e pragas, como a do gafanhoto. Na idade média, a concentração populacional traz novas epidemias, pela falta de higiene nos aglomerados populacionais. O mesmo aconteceu com o índio pela aproximação do não índio.

As enfermidades em que no seio dos grupos étnicos eram debeladas pelos mecanismos de autodefesa, foram propiciadas tanto pelo fato da aglomeração populacional como também das misturas de etnias. “Quando uma parte é desligada de um todo, ela não vai ser mais a mesma, porque não pertence mais ao todo” (JONES- 2000). Podemos dizer que não existe um ponto de equilíbrio perfeito. “Eu não posso passar duas vezes no mesmo rio” (ERACLITO). Para este pensador, as coisas devem ser analisadas no momento temporal. Cada momento possui o seu problemas e como tal, possui a solução adequada à sua época.

Os atos propostos pelo homem para recuperar a natureza, são utópicos. A natureza não recupera em um momento; mas ao decorrer de um longo período. A solução de um problema ambiental é ilusório. Assim como são ilusórios, os atos compensatórios. ( Proteger um bosque porque destruiu uma floresta)

O estado das coisas não são permanentes. ” Os fatos mudam e as coisas passam a ser outras ” (JONES- 2000 ).

” A vacina não cura a enfermidade ou epidemia, apenas ameniza o efeito ” (JONES – 2000 ).   Somente descobrindo e eliminando a causa é que podemos acabar com o mal (ex.: o foco de mosquito e a dengue).

Com a mecanização, o homem acelera a modificação da natureza, impedindo que esta complete o ciclo da recuperação. Com o aumento do índice populacional, aumentou também o ritmo de modificação da natureza. Quando a bíblia fala em sete anos de fartura e sete anos de miséria, nada mais é do que o início do desgaste da natureza, que levaria sete anos para completar seu ciclo de recuperação. A Odisséia de Olisses, é a repetição da história do esgotamento da natureza. Na Europa onde surgiram os primeiros e maiores núcleos de concentração populacional e o início do esgotamento da natureza, iniciou-se também o rodízio de cultura e o período de repouso das terras dedicadas às culturas. Tudo o que é em excesso, tanto no homem quanto no meio ambiente, impede a recuperação das modificações provocadas pelo impacto e a realizar o equilíbrio. O mecanismo natural de recuperação é simbiótico e necessita a troca entre os indivíduos e os elementos da natureza. Na relação social, além do fator ecológico existe o desequilíbrio econômico, quando as alterações são desproporcionais à capacidade de equilíbrio, surge o impacto. No tocante à produção, as alterações ocorrem em um espaço de tempo mais reduzido – uma safra – no entanto a recuperação do ambiente natural é mais lenta e difícil.

Como o homem conhece pouco sobre macro-cosmo e micro-cosmo, as suas alterações são de difícil recuperação.

Os tempos mudam o nível de conforto das classes mais favorecidas. As condições de bem estar exigidas pelas camadas sociais são relativisadas ao tempo histórico. Assim também as necessidades de modificação da natureza são inerentes à historicidade. As alterações realizadas hoje na natureza, para produzir alimentos são maiores que ontem, e as alterações futuras terão que ser maiores, para atender a nova tecnologia, tendo em vista uma maior demanda.

Com a evolução da sociedade, a utilização da natureza passa a ser não apenas em função de suas necessidades de sobrevivência mas também das necessidades culturais. Criou-se a ilusão de que todas as alterações na natureza são reversíveis. No entanto algumas reações químicas são irreversíveis na atualidade. A energia atômica e nuclear, provocam modificações cuja reversão é desconhecida pela ciência. Além da reversão ser impossível, seus efeitos são desconhecidos.

Um exemplo do limite da natureza, é o uso da água dos rios que cada vez mais torna-se mais imprópria ao consumo humano. Se o uso da água de um rio for superior a sua capacidade, este perde sua capacidade de recuperação, seja pelo consumo ou depósito de dejetos. A recuperação de um rio, só é possível a longo prazo. Como a degradação ocorre em curto prazo de tempo e a recuperação a longo prazo, a solução ambiental é evitar o dano.

O homem dever entender que surgiu como parte do universo, e não como um espectador e beneficiário deste. ” Como o homem é uma parte da natureza, ele não pode viver fora do todo e nem modificar o todo, mas sim conviver com o todo” (JONES – 2000).

Em todo o projeto de preservação temos que considerar que existem interesses diversos que vão implicar na sua execução eficiente. O uso e o não uso de pesticidas ferem interesses de grupos detentores do poder de dominação. Levando em consideração as dimensões global e cósmica, os programas de recuperação tornam-se muito distantes, por isso a importância de prevenir os danos ambientais utilizando adequadamente os recursos naturais.

Apresentação da Churrasqueira Campeira

 

A churrasqueira Semiportátil Com Espeto Vertical-oblíquo é dedicada e dirigida ao homem do campo ou aqueles que já não moram no campo, mas continuam com hábitos campeiros, por TRADIÇÃO. Este modelo de  CHURRASQUEIRA, procura reproduzir a forma tradicional do homem do campo em fazer o seu churrasco com espeto cravado no chão. Este era o costume do homem campesino, em especial o tropeiro, com o espeto de assar a carne, em posição vertical-oblíquo cravado ao solo, conhecido comumente como espeto de chão (É o modo GAÚCHO de fazer churrasco). Neste modelo de churrasqueira, com espeto em posição vertical-oblíquo, a carne fica ao lado do fogo, em posição tal que a gordura que escorre da mesma não pinga no fogo ou na brasa. Dessa forma o incômodo da contaminação do ar e da própria carne pela fumaça, não acontece, pois evita que a gordura que escorre da carne caia sobre a brasa. Existe assim a vantagem sobre as churrasqueiras convencionais, que utilizam o espeto da carne acima do fogo ou da brasa. A Churrasqueira Semiportátil com Espeto Vertica-oblíquo diferencia também daquelas que utilizam o espeto em posição horizontal, ao lado do fogo. Aquela apesar de dispor os espetos ao lado do fogo, utiliza os mesmos sobrepostos o que faz com que a gordura ao escorrer do espeto superior, pingue no espeto em posição inferior, alterando o sabor do churrasco que está posicionado abaixo.  . Desta forma o assado não absorve o cheiro do carvão ou da lenha queimada. A churrasqueira em evidência comporta qualquer tipo de lenha convencional até um comprimento de 40 (quarenta) centímetros. Tanto a lenha em lascas, triturada (Cavaco), carvão ou aglomerado de lenha fica em um recipiente especial feito de chapa expandida, que separa o fogo ou a brasa do churrasco, deixando passar apenas o calor. A churrasqueira possui um suporte para espeto, graduável, que aproxima e afasta o churrasco da fonte de calor, conforme a necessidade de maior ou menor temperatura.  Estando o espeto fora do alcance do fogo e, sobre uma bandeja de alumínio, o molho que escorre da carne fica depositado na bandeja e pode ser aproveitado na culinária. A churrasqueira possui também duas abas laterais em cada um dos quatro lados, que protege o churrasco contra a ação do vento. Estas abas são dobráveis para dentro, e quando uma determinada face não estiver sendo usada. A churrasqueira semiportatil pode ser utilizada apenas com a fornalha, em especial nas atividades campeiras, podendo ser transportada pelo peão, dentro de um bornal, “nos tentos” (Cordel de couro), junto ao “lumbilho” ou cela da montaria. Neste caso o porta brasa, ou fornalha, quando em uso, fica fixo ao chão por meio dos pinos de fixação, da mesma forma como é preso a base. Dessa forma o fogo não fica disseminado pelo chão, com risco de incêndio nas pastagens e nas matas, como é comum nos acampamentos de trabalho ou laser. A churrasqueira aqui apresentada pode ser facilmente transportada em bagageiro de qualquer automóvel de passeio ou mesmo na garupa de uma moto. Esta churrasqueira quando instalada em local coberto, utiliza uma  campânula, o suporte da  chaminé, que coleta a fumaça e os gases para fora do ambiente.Dessa forma pode ser instalada em GALPÕES DE ESTÂNCIA , nas varandas de residências ou em CTGs.

Este modelo de churrasqueira, agora já patenteada, é mostrada agora em fotografias para que todos possam fazer seu comentário ou sugestão. Já estamos construindo um novo PROTÓTIPO, em aço inoxidável e alumínio, com “designer” melhorado.

OGMs e SOJA: uma holística da Sociologia do Direito

OGMs e SOJA: uma holística da Sociologia do Direito
Adão de Jesus Ferreira
RESUMO
Os produtos transgênicos conhecidos como Organismos Geneticamente Modificados – OGMs, são produtos da Engenharia Genética, obtidos pelo domínio da técnica da manipulação de moléculas de DNA/ARN recombinados. A manipulação das combinações genéticas são anteriores à era cristã, e ganhou o status de ciência, quando o austríaco Johann Gregor Mendel enunciou as leis básicas da hereditariedade e os fundamentos da genética, alcançando seu auge no ano 2000 quando os cientistas conseguiram seqüenciar o DNA humano.
A biotecnologia tem revolucionado o setor agrícola, melhorando alguns produtos, tais como; milho, tomate e soja. Em 1976, o Governo Americano normatizou o tema através da “Guidelines about DNA”, e em 1980 criou as normas de patenteamento.
No Brasil a manipulação genética foi normatizada pela Constituição de 1988; em seu artigo 225, e as Leis, 6.938/81 e 8.974/95, e pelo Projeto de Lei nº 2.401/2003. A Medida Provisória 223/2004, regulamenta a venda de soja da safra 2004/2005. O Código de Defesa do Consumidor, também trata da embalagem e venda do produto que conste material tansgênico.
A linhagem da soja transgênica atualmente plantada no Brasil, especialmente na região sul é a Raudup Ready. É uma soja idêntica a convencional, sendo no entanto resistente ao herbicida RoundUp.
Ainda não se sabe qual seria o efeito do cruzamento natural da soja transgênica com espécies nativas, e qual seria o efeito do herbicida glifosato para a biodiversidade. O objetivo principal deste trabalho é discutir sob o enfoque jurídico a historicidade, normatização e perspectivas dos organismos geneticamente modificados. Com a aprovação do Projeto de Lei n º 2.401/03, a pesquisa genética fica definitivamente regulamentada no Brasil, com a possibilidade de maiores investimentos no setor.
Palavras chave: Transgênico, Biotecnologia, Herbicida, Biodiversidade.
ABSTRACT

GMO’s AND THE SOY: a holistic of law’s sociology

The transgenic products known as Genetically Modified Organisms GMO’s are products of Genetic Engineering, obtained through the recombined DNA/RNA molecule manipulation technique domain. The manipulation of genetic combinations is earlier than the Christian Age, and reached the science status, when the Austrian Johann Gregor Mendell declared the basic laws of heredity and the genetic foundations, reaching it’s peak in the year 2000 when the scientists uncovered the human DNA.
The biotechnology has revolutionized the Agricultural Sector, improving some products, such as corn, tomato and soy. In 1976, the American Government created norms for the subject through the “Guidelines about DNA”, and in 1980 defined rules for the patent.
In Brazil the genetic manipulation rules were made by the Constitution of 1988, in the article 225, and the Laws 6.938/81 and 8.974/95, and by the Law Project No. 2.401/2003. The Provisory Measure 223/2004 regulates the 2004/2005 soy crop’s sale. The Consumer Defense Code, also handles the packing and selling of products that contains transgenic material.
The transgenic soy lineage currently planted in Brazil, mostly in the south region is the Roundup Ready. It’s a soy identical to the regular one, but resistant to the Roundup Herbicide.
The effects of the natural crossing of transgenic soy with native species are not yet known, nor the effect of the glifosato herbicide over the biodiversity. This project’s main objective is to discuss about the historicity, rules and perspective of genetically modified organisms through a juridical point of view. With the approval of the Law’s Project No. 2.401/03, the genetic research is now definitely regulated in Brazil, with the possibility of bigger investments in the sector.

Keywords:Transgenic, Biotechnology, Biodiversity, Herbicide.

Introdução

Os produtos Transgênicos conhecidos como organismos geneticamente modificados (OGMs), são produtos da Engenharia Genética, obtidos pelo domínio da técnica de manipulação de moléculas de DNA/ARN recombinados
As combinações genéticas foram largamente utilizadas pelo homem, remontando tal feito, à era cristã. A ciência começa a tratar do assunto com afinco a partir de 1865, quando o austríaco Johann Gregor Mendel enuncia as leis básicas de hereditariedade, estabelecendo os fundamentos da nova ciência denominada “genética” (Fiolo e Rodrigues,1996). +-
De lá para cá grandes descobertas marcaram a evolução da ciência em prol da humanidade. O fato mais marcante no campo da genética ocorreu no ano de 2002 quando os cientistas anunciaram terem conseguido seqüenciar o DNA humano e o genoma de alguns animais.
A biotecnologia tem sido o motivo do grande desenvolvimento do setor agrícola. No caso do milho, a adição da bactéria (CBT), torna a planta resistente à insetos. No tomate, a adição do produto (Flavr Sarvt) influencia no amadurecimento, na resistência e sabor do produto. Nestas cultivares dois exemplos entre inúmeros, a atuação do “mutante”, ocorre fundamentalmente sobre o produto.
Como se vê, a soja não foi o único nem o primeiro produto a sofrer modificação genética com efeito na produtividade. No entanto no caso da soja transgênica os efeitos da ação mutativa vão além da semente. Atualmente os grãos cultivados no Brasil, são resistentes à herbicidas.

O questionamento da SOJA TRANSGÊNICA

A linhagem da soja ora colocada em evidência é a GTS 40-30-2, a Roundup Ready-RR. A “RR” é uma soja idêntica a convencional, onde foi introduzido um gene resistente ao herbicida RoundUp. Esta resistência foi possivel também por ter sido colocada na soja uma enzima retirada de um micro organismo do solo (enzima CP4EPSPS) que tem a mesma função da enzima EPSPS (Natural), mas que não é bloqueada pelo herbicida Glifosato (Lerina. Marcelo -lerina @agroagenda.com.br,2005). Por esta razão ela é resistente à uma substância fortemente ativa como herbicida, comercialmente conhecida como “Roundup”, produzida pela Monsanto Internacional.
Segundo o Dr. Roger Elmore da Universidade de Nebraska-USA, a soja Roundup. Ready da Monsanto rende 6% menos que outras do mesmo gênero; e 11% a menos que uma soja convencional de bom rendimento. Na prática o cultivo da soja GM, quase duplica os gastos em sementes e sistema de controle.
O domínio da biotecnologia e química de controle estão em poder de poderosas empresas internacionais, como a Monsanto, Du Pont, Avetins e Novatins (Lerina. Marcelo,2005).
Estas empresas estão modificando as plantas tornando-as resistentes aos herbicidas por elas fabricados, tornando os agricultores cada vez mais dependentes da sua tecnologia, sem a qual já não conseguirão produzir.
O fato é que sendo a soja resistente à herbicidas, ou a um determinado herbicida, este pode ser lançado ao solo, indiscriminadamente, por ignorância ou imprudência, agindo diretamente sobre múltiplos microorganismos. Este resultado pode ser nefasto para o meio ambiente. Neste particular não existe um estudo suficiente para garantir que esta tecnologia não venha no futuro causar algum dano tanto ao ser humano quanto à biodiversidade.
O homem prescinde da biodiversidade para sua sobrevivência. Confirmada esta premissa, conclui-se que a natureza está entre os maiores bens da humanidade, sem a qual não haverá chance de sobrevivência no planeta terra. Com tal magnitude de importância, não é admissível aceitar-se os riscos de conseqüências incalculáveis e irreversíveis. Onde não existe certeza de resultado, prescinde-se, para o caso, de decisões e medidas dentro do princípio da precaução: “Não é preciso que se tenha prova científica absoluta de que ocorrerá o dano ambiental, bastando o risco de que o dano seja irreversível para que não se deixem para depois as medidas efetivas de proteção ao ambiente. Existindo dúvida sobre a possibilidade futura de dano ao homem ou ao meio ambiente, a solução deve ser favorável ao ambiente e não ao lucro imediato – por mais atraente que seja para as gerações presentes (Machado pg.57-1998)”. A precaução como forma de proteção ambiental consta do princípio 15 da Declaração do Rio de Janeiro de 1992. (CNUMD -1992)
O fato de que um herbicida que tenha a capacidade de matar qualquer organismo vegetal que não seja a soja transgênica, conclui-se que destruirá também exemplares da flora que podem ser de grande importância na pesquisa nutricional e farmacológica. Para ilustrar, podemos citar um exemplo divulgado pela Rede Globo recentemente(2005). Segundo a reportagem, cientistas japoneses descobriram o grande poder de cura da própolis verde , produzida por abelhas que utilizam o alecrim do campo, que é encontrado no centro e sul do Brasil. Este vegetal assim como outros de importância na medicina, podem ser exterminados com o uso continuado do herbicida “Roundup”.
A manipulação do DNA tem conseguido grandes avanços na técnica recombinante do genoma. A novidade e complexidade dessa ciência tem causado temor e medidas de cautela nas propostas de pesquisa.
Com o escopo de proporcionar segurança, em 1976 o governo americano normatizou o tema através da “Guidelines about DNA. Em 1980 a lei americana incluiu a recombinação genética nas normas de registro de patentes.
No Brasil a constituição de 1988 dá um passo avançado, com o objetivo de delinear a pesquisa genética, criando normas institucionais no campo da pesquisa.
“Art. 225 —–
§ 1 º – Para assegurar a efetividade deste direito compete ao Poder Público:
—–
II- Preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação do material genético”.
Tendo em vista a possibilidade de impacto na saúde e meio ambiente, o Brasil criou normas amplas para regulamentar o que dispõe o Art.225 da CF. Em 2 de janeiro de 1995 o Presidente da República publica a Lei n º 8.974/95,que regulamenta os incisos I e V do § 1 º do art. 225 da CF/88.
A Lei nº 8.974 / 95, além de estabelecer normas de segurança e fiscalização, define responsabilidades pelas conseqüências da manipulação genética.
É importante esclarecer aquilo que define o parágrafo único do art. 3 º da Lei 8.974 / 95. “Não são considerados como OGM aqueles resultantes de técnicas que impliquem a introdução direta num organismo, de material hereditário, desde que não envolvam a utilização de moléculas de ADN recombinante ou OGM, tais como: fecundação in vitro, conjugação, transdução, transformação, indução poliploide e qualquer outro processo natural”.

O Projeto de Lei n º 2.401 / 2003, recentemente aprovado pelo Congresso Nacional, veio para ratificar e completar o tema contido na Lei nº 6.938 de 31 de agosto de 1981 (Política Nacional do Meio Ambiente) e da Lei nº 8.974de 5 de janeiro de 1995 (Lei da Biossegurança). O projeto 2.401/03, cria o Conselho Nacional de Biossegurança – CNBS , responsável pelas decisões em questões de biossegurança- que é composto por onze ministros mais o Secretário Especial de Aquicultura e Pesca da Presidência da República. Foi também instituída a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio, já criada pela Lei n º 8.974 de 5 de janeiro de 1995. A CTNBio composta por vinte e seis cidadãos brasileiros de reconhecida competência técnica, notório saber científico e com destacada atividade profissional. É o que diz o Projeto de Lei N º 2.401/2003.
Uma nova perspectiva já surge com a Lei N º 8.974/95, Lei da Biosegurança, e o Decreto Lei N º2.401/03 que regulamenta a matéria, dando uma dimensão de responsabilidade na pesquisa da biotecnologia. O P.L. 2.401/03, além de atender os objetivos do Art. 218 e parágrafos da CF/88, supre as lacunas da Lei N º8.974/95 e amplia os objetivos da Lei N º6.938/81(Lei da Política Nacional do Meio Ambiente), que foi ratificada pelo Art. 225 da CF/88.
A Medida Provisória nº 223, de 14 de outubro de 2004, veio para regulamentar o plantio e comercialização da soja transgênica da safra 2004/2005. Conforme esta MP a soja transgênica colhida na safra 2004, deverá ser comercializada até 31 de janeiro de 2006, podendo ser prorrogada por até sessenta dias (Prorrogação esta, alterada para 180 dias-em 12-01-2005).
Além dos institutos jurídicos supra mencionados, não podemos prescindir da Lei N º 8.078/90, Código de Defesa do Consumidor, por tratar das normas relativa ao consumo. Outro mecanismo jurisdicional de proteção aos direitos difusos, e a Lei N.º 7.347/85 -Lei da Ação Civil Pública, de caráter predominantemente processual (Tutela os valores ambientais, disciplinando a ação judicial de responsabilidade pelos danos causados ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico).
No tocante aos direitos do produtor de biotecnologia, não foram objetivamente regulamentados, já que os institutos legais hora vigentes, são omissos neste particular. O que temos no momento é a criação de um direito por analogia ao conteúdo da Lei n º 9.279 de 14-05-1996, que trata da propriedade industrial e patentes. Já o produto da biotecnologia, não pode ser patenteado no Brasil. Neste particular concordamos com Fiorillo e Rodrigues (1996), conforme o art.225 da CF/88, produto obtido através de organismos geneticamente modificados (OGM), são seres vivos e pertencem ao meio ambiente, bem comum de todos, estando portanto no campo do Direito Difuso. O que pode ser patenteado é apenas a marca de um produto obtido com essa tecnologia.

Conclusão

Embora as críticas muito bem fundamentadas contra os produtos transgênicos a humanidade não pode abrir mão desses novos conhecimentos. O que está fazendo falta é um maior estudo sobre os reais efeitos oriundos dessa tecnologia, para o ser humano e para o meio ambiente.
Muitos dos especialistas, aqueles que usam a mídia ou escrevem sobre o tema, o fazem mais envolvidos pela paixão do que pela razão. Até mesmo aqueles com competência e conhecimentos, tratam do tema de maneira simplista. No caso da soja transgênica as razões (Mentes) estão sendo embaciadas por uma névoa de interesse econômico imediatista. Um toque de vaidade têm levado alguns técnicos a buscar a glória do pioneirismo; omitem à sociedade os possíveis riscos do lançamento no meio ambiente de produtos tansgênicos.
A soja “RR”, possui características biofísicas semelhante à convencional, mas não se sabe ainda, qual seria a conseqüência do cruzamento natural com espécies nativas. Segundo Fiolo e Rodrigues (1996), nas plantações de soja transgênica nos EUA, foram encontradas ervas invasoras que adquiriram resistência ao “glifosato”. Isto mostra que a aplicação de uma tecnologia sem o devido estudo de impacto ambiental, pode causar profundas alterações na biota.
Outro ponto que deve ser fruto de pesquisa e monitoramento é a absorção do herbicida pela cultivar e a sua nocividade à biota. A rigor nenhuma plantação de soja transgênica deveria ser iniciada sem um estudo local do impacto ambiental, sem dispensar no mesmo, um completo inventário dos macro e micro organismos do solo. A criação de um banco genético para preservar espécies raras que possuem fragilidade letal ao herbicida.
Tratando-se de uma atividade potencialmente de risco, compete ao Estado a criação de um fundo para possíveis medidas de recuperação, mitigação e compensação. Não basta que o produtor assine um termo de conduta, é imprescindível estabelecer uma fonte de recursos para realizar um projeto de reversão ao dano ambiental.
Neste jogo de valores em que se discute projetos sociais, cabe à ciência apresentar as premissas, ficando para a sociedade concluir pelas prioridades – ou o lucro imediato ou a sustentabilidade. No entanto, o que temos visto tem sido bem diferente. Os representantes de empresas multinacionais agindo em nome da classe produtor, organizam congressos, encontros e outros eventos para discutir sobre a questão da soja transgênica, mas só apresentam palestrantes e debatedores com discursos direcionados aos seus interesses. Foi por exemplo o que aconteceu no Encontro de Ibirubá/ 2003, sobre soja transgênica.
Aqueles que ousam mostrar a realidade sobre a ST, o fazem em livros e periódicos especializados, longe, portanto, do alcance da população.
O executivo federal tem sido, ora omisso, ora tímido ao tratar da questão, descumprindo até mesmo os preceitos constitucionais, como é o caso dos contidos no Art.225 § 1 º -II da CF/88.
O projeto de Lei N º 2401/2003, veio para delinear os rumos dos Organismos Geneticamente Modificados – OGMs, mas se o Executivo Federal não levantar a bandeira da legalidade, disponibilizando meios de fiscalização, poderá no futuro estribar-se novamente nas MPs, para evitar o confronto com o poder econômico.
Enquanto não houver uma conscientização social, as leis devem vir acompanhadas desses instrumentos de fiscalização para assegurar a sua eficácia.
Aqueles que se apoiam no antropocentrismo para justificar uma produtividade imediata, esquecem em suas metas teleológicas, de que o homem faz parte do meioambiente. O sistema econômico delineador de metas deve, portanto, incluir nestas, a proteção ao meioambiente, para assegurar a sustentabilidade.
São muitos os interesses que envolvem o sistema produtivo, e por conseqüência os conflitos de opinião. As leis em foco, vieram para dirimir tais conflitos, ajustando os interesses sociais, da melhor forma.
Com a aprovação do Projeto de Lei N º 2.401/03, pelo Congresso Nacional, e entrar em vigor este Instituto Jurídico, uma nova era surgirá para a biotecnologia brasileira. Pesquisadores nacionais, quer estatais, quer privados, terão oportunidade de investir em biotecnologia. Temos certeza que é este o caminho para colocar um fim a esta promiscuidade jurídica que envolve os transgênicos no Brasil.

Bibliografia

FIOLHO, C.A.P. – Direito Ambiental e Patrimônio Genético. Belo Horizonte: Del Rey,1996
BRASIL – Constituição de 1988
BRASIL – Legislação do Congresso Nacional
LERINA. Marcelo,2004. Home Page-lerina @agroagenda.com.br.
MACHADO, P.A.L. Direito ambiental brasileiro. São Paulo: Nobel,1998

MEDODOLOGIA DO EXTENSIONISMO RURAL

OS ASPECTOS PSICOLÓGICOS DA METODOLOGIA

Adão de Jesus Ferreira1

Em geral, e com uma praxe bem definida as universidades elaboram sua própria metodologia de difusão tecnológica e transmissão do conhecimento ao meio rural.

Levando em consideração que o destino final da mensagem é o homem do campo, é mister que o aspecto psicológico exerça papel primordial na transmissão do conhecimento.

A Extensão Rural como educação, encontra fundamentos na orientação fenomenológica de Skiner, que considera o homem fonte de todos os atos. O homem age em função de sua autopercepção e aparentemente vive em um mundo subjetivo

O ser humano, desde o início de sua história, deixou marcas mostrando ter tido sempre curiosidade em conhecer a si mesmo, para melhor comunicar-se com o meio externo. Sócrates e Platão apontam o homem direcionado a estes estados fenomenológicos, qual seja; conhecer a sua existência. René Descartes, ao analisar as formas de conhecimento humano, nos dá os pressupostos dos métodos de aprendizagem. Foi exatamente nesse período histórico que o homem volta-se para conhecer algumas de suas propriedades básicas como, sua inteligência, personalidade, motivos, percepções e emoções. O homem então se interroga; “o conhecimento é de origem externa ou interna?“ Ou ainda, será o conhecimento o fruto de uma interação com o meio?

Além de filósofos e psicólogos, houve fisiologistas e físicos que deram sua contribuição para melhor entendimento da mente humana.

É na psicologia que vamos encontrar fundamentos para discernir as formas de assimilar e transmitir o conhecimento.

Para o psicólogo e educador Carl R. Rogers, a psicologia é o estudo da pessoa humana. Isto compreende a percepção, emoções e as diversas formas de manifestação racional. Este considera que a psicologia faz parte das ciências humanas e não das ciências naturais; como sugerem alguns estudiosos.

A maioria dos cientistas que estudam o comportamento humano alinha-se na corrente de ciências naturais, talvez por englobarem psicólogos envolvidos com outros ramos da ciência como; a química, a física e a astronomia. Os não alinhados com essa corrente, são rotulados de dissidentes, por muitos motivos, mas nunca formaram um grupo homogêneo. Um dos primeiros a assumir essa linha foi Abraham Maslow, criando outra corrente de pensamento denominada, terceira força. Mais tarde surge Carl Rogers, grande batalhador em defesa da psicologia humanista. Para Rogers, – referindo-se a ciência biológica – , “a psicologia científica é grosseira, insensível, e superficial”. Diz ainda mais, “a ciência só pode dirigir-se ao que há de trivial e óbvio no comportamento humano deixando assim de fora aqueles aspectos que mais nos interessam – sua unicidade, complexidade e imprevisibilidade”; características próprias e exclusivas do ser humano. Aqui Rogers fala de ciência em um sentido mensurável como, a biologia e a física.

Para os humanistas, os fenômenos como, experiência, sentimentos, significações e humor, são de suma importância na busca do crescimento de cada pessoa.

Convém destacar também a contribuição de Libnitz e Locke, que se dedicaram ao estudo e diferenciação dessas duas correntes. Também foi bastante influente na psicologia moderna, e educacional, Maine de Biran, que desenvolveu uma psicologia dinâmica, procurando encontrar a gênese de autoconsciência no desenvolvimento da criança. De Biran que desenvolveu uma psicologia dinâmica, moderna e educacional, mostrou que o “self”, é um agente experimentador e capaz de registrar sua própria experiência.

Sobre o mesmo tema fala Rollo May, tentando explicar a formação da consciência –“tornamo-nos assim cônscios de nossa própria experiência, como sujeito e como objeto; somos ao mesmo tempo ator e atuado”. Rollo May é psicólogo e dedicou-se também ao estudo da formação da autoconsciência e do surgimento da heurística que continua crescendo procurando sempre atingir um maior refinamento.

Ausubel opondo-se aos argumentos anteriores, escreveu uma refutação intitulada: ao “mais extremados desses teóricos”. Em seu tratado, afirma que a personalidade forma-se por um comportamento individual e a demonstração de mudança acontece cada vez que um fator novo lhe é apresentado. No entanto essas mudanças dependem dos fatores de personalidade e de sua aceitação. Isto não impede que outras variáveis sejam também operativas mas sempre dependendo da aceitação da personalidade. Disto conclui-se que somente fatores de personalidade determinam a mudança.

A contribuição de Dilthey foi de grande valia para o estudo das ciências da mente, para quem a psicologia é como ciência natural, foi muitas vezes instrutiva quando falava a respeito de sensações e seus atributos. Mas nada contribuiu naqueles fenômenos que constituem a essência do ser humano; imaginação criativa, autoconsciência, auto-sacrifício, senso de obrigação, amor, devoção e simpatia.

Segundo Dilthey no campo da psicologia podemos considerar duas ciências, a ciência descritiva, aquela cujas leis são encontradas por verdadeiras análises empíricas, ou seja, aquilo que é dado na experiência e outra, a ciência explicativa, aquela que tira suas leis de uma premissa metodológica, que determina previamente sua natureza geral. Neste caso a premissa nada mais é do que uma mera construção hipotética.

Carl Rogers é outro psicólogo que também está associada à mesma linha de Tilthey, de quem apontamos alguns pontos de vista. Para Rogers, não podemos resolver estes problemas da mente pelo modelo newtoniano, ou seja; por regras fixas ou matemáticas, segundo este cientista, já é questão superada. Precisamos resolver estes questões centrais do cérebro, tratando o ser humano como um todo onde temos que considerar além da armazenagem de memória, outros fenômenos como; razão, amor, a influência do grupo sobre atitudes, as significações de valores no comportamento e outras variáveis no campo da emoção. Em suma, queremos uma ciência psicológica ou ciência comportamental que trate de problemas encontrados no homem inteiro em seu ser subjetivo e objetivo.

Rógers que era psicólogo costumava fazer experiências com seus pacientes, ao contrário de Skinner, que fazia experiências com animais.

Maiores detalhes do trabalho de Rogers, sobre sua contribuição para a educação, trataremos no 3º capítulo.

Dentro dessa abordagem salienta-se uma das figuras mais questionadas no ramo da ciência da educação, B.F.Skinner. Considerado a figura mais influente da Universidade de Harvard, Skinner tornou-se também o cientista mais controvertido, por suas idéias sobre experiências com animais e aplicação dos resultados na psicologia humana.

Skinner escreveu um livro intitulado “Beyond Freedon and Dignity” (Além da liberdade e da dignidade), que provocou indignação entre seus adversários, pela seguinte mensagem: “Não podemos mais dar-nos ao luxo de liberdade e por isso ela deve ser substituída pelo controle sobre o homem, sua conduta e sua cultura”.

Aqui Skinner defende a teoria de que os indivíduos podem ser selecionados e orientados para uma determinada função social. Apesar do impacto de suas idéias, seus métodos ainda são usados por muitos educadores e sua caixa de pesquisa é usada nos laboratórios de psiquiatria. Skinner analisando o comportamento dos indivíduos, concluiu que as conseqüências causadas por um determinado comportamento podem fazer com que esse comportamento ocorra novamente, e que o mesmo pode ser modificado por atitudes compensadoras ou punitivas. Ele procurou mostrar que as ações seguidas por recompensas são fortalecidas e tendem a ser repetidas e as que são seguidas por punições, são enfraquecidas e tendem a diminuir ou desaparecer.

Entre os psicólogos Skinner situa-se na corrente behaviorista, que se caracteriza pelo estudo do comportamento. Corrente iniciada por Pavlov, que tende eliminar qualquer referência à consciência e ao espírito. Em suma, abstraindo tudo aquilo que não poder ser observado e registrado em termos objetivos. Utilizando animais inferiores, Skinner desenvolveu um sistema que ficou conhecido por “caixa de Skinner”, muito utilizada pelos cientistas em seus experimentos de laboratório. Skinner concluiu que os resultados obtidos com animais, também podem ser conseguidos com seres humanos. Assim o comportamento de alunos nas escolas pode ser modelado pelo oferecimento de reforços apropriados

Assim como Pavlov e Skinner, também Thorndike deu início ao processo de conhecimento mensurável. Skinner não nega os processos interiores, mas acha que todos nós somos controlados pelo mundo, parte do qual é construído pelos homens. Sobre a polêmica do seu livro, Skinner acha que o futuro pode ser previsto e o mudo programado.

Devemos salientar alguns tipos de comportamentos descobertos por Skinner, já que eles fazem parte do nosso dia-a-dia. Os comportamentos respondentes são aqueles provenientes de estímulos fisiológicos como, a contração e dilatação das pupilas em resposta a mudança de iluminação; arrepios e lágrimas em momentos característicos. Já os operantes são em maior número e não dependem de estímulo para se produzir, mas produzem efeito no mundo exterior. São desse gênero, o ato de andar, a tacada de golfe, o chute na bola.

Outros tipos de comportamento e detalhes destes apontados serão tratados no 3º capítulo.

2-HISTÓRICO DO EXTENSIONISMO RURAL

A atividade de Extensão Rural teve início nos Estados Unidos, por volta de 1870, quando os agricultores decidiram realizar reuniões para encontrar, em conjunto, soluções para seus problemas. No entanto, no pósguerra que esta atividade foi realizada e realmente estruturada como tal. Em 1914, o Governo Federal Americano encampou esta atividade, e reunindo todas as experiências anteriores, instituiu o “Trabalho Cooperativo de Extensão Rural”(FONSECA 1985). Dentro da análise conceitual dos técnicos americanos, a elevação do nível de conhecimento dos agricultores e seus familiares acarretariam a adoção de novas habilidades em suas atividades produtivas.

Neste período foram criados nos EUA estações de pesquisa para estudo de novas técnicas que depois de comprovadas, eram transmitidas aos agricultores

Segundo FONSECA, foi Everet M. Rogers o mentor dessa idéia, para quem a noção de educação é justamente a capacidade social de se integrar ao meio, oferecendo até mesmo a capacidade de inovar.

Este projeto extensionista, tinha a missão de operar modificações na estrutura social camponesa por meio de medidas que ia desde um trabalho educacional convencional, que prepararia o agricultor e seus familiares a aceitação de novas técnicas e posteriormente a transmissão e difusão dos novos conhecimentos.

No Brasil a Extensão Rural ocorreu também no após guerra, acompanhando esse movimente que se operou no campo social, político, cultural e econômico. Em 1930, influenciados por estes movimentos internacionais, os políticos brasileiros preocuparam-se com a Educação Rural e, por conseguinte também com o extensionismo. Em 1945, com a supervisão do extensionista norte americano, Everett M. Rogers, e o apoio da UNESCO, foi criada a “Comissão Brasileira Americana de Educação das Populações Rurais (ACAR). No entanto, foi somente a partir de 1946 é que foram iniciadas as atividades. Isto ocorreu quando veio ao Brasil, o empresário e assistente do Presidente Roosevelt, dos
Estados Unidos, Nelson Rokfeller, para dar início as atividades programadas junto às comunidades rurais.

No Rio de Janeiro, o emissário norte americano foi sensibilizado ao saber que grande parte dos favelados ali existentes provinha de Minas Gerais, como fruto do êxodo rural daquele estado. Para ele era difícil entender como um estado rico pela sua produção de minérios poderia gerar tanta dificuldade social.

Foi a partir de então que o Brasil passou a contar com o apoio americano para a Extensão Rural, começando exatamente pelo estado de Minas Gerais, portal de entrada do extensionismo rural no nosso país.

O projeto iniciou-se com a mediação da Associação Internacional Americana (AIA). Uma das primeiras iniciativas foi a criação do Plano de Recuperação Econômica e Fomento da Produção. O plano contou inicialmente como o Projeto de Educação Formal (Extra- escolar) ao “caipira mineiro”, ou também chamado de “ensino agrário ambulante”. O projeto incluía educação sanitária e profilaxia rural, compondo a equipe, um médico sanitarista e um enfermeiro (FONSECA 1985).

Fazendo parte do plano, foi criada em 1948 a Associação de Crédito e Assistência Rural (ACAR) , conforme o modelo americano.

Em 1951 a Universidade Rural de Minas Gerais assinou convênio com instituições americanas, incluindo pessoal técnico e apoio financeiro. Ficou como pólo de aplicação e difusão tecnológica, a Escola Agrícola de Viçosa – MG

3- O EXTENSIONISMO E A METODOLOGIA EDUCACIONAL

Primeiramente, vamos analisar a forma metodológica da educação, como a assimilação do conhecimento em sua relação com o meio.

Não esquecendo René Descartes, que tratou do conhecimento como um fato fenomenológico racional, nosso enfoque principal será sobre as duas correntes antagônicas, a defendida por B.F. Skinner (behaviorista), e a defendida por Carl R. Rogers (humanista)

Os educadores modernos, não se associam a nenhuma corrente, mas utilizam formas pedagógicas que melhor atendam a seus propósitos para uma determinada clientela, aproximando-se ora de uma corrente hora de outra.

A proposta metodológica da Extensão Rural como Educação, deve iniciar na faculdade. O comportamento fenomenológico entendido como epistemologia do conhecimento prepara o elemento teórico capaz de assumir a forma empírica. Pois é precisamente na universidade que se opera a escolha do método científico por meio do qual as inovações devam chegar até o campo. O procedimento mental gnosiológico é visto com mais aprofundamento nos laboratórios acadêmicos. A partir dos portões da universidade a transmissão do conhecimento opera-se de forma demonstrativa daquilo que já foi fartamente pesquisado na universidade. Daí por diante o processo cognitivo limita-se a demonstrar as reais vantagens do uso da tecnologia testada nos campos experimentais. No campo prático o que vai garantir o sucesso extensionista, é uma política educacional socializante. Este procedimento é considerado socializante enquanto atende os anseios e necessidades do homem do campo. Segundo alguns críticos, como Paulo Freire para quem a transmissão do conhecimento para o homem do campo só operam-se efetivamente quando for de encontro aos seus anseios – aqui contamos com o procedimento behaviorista mostrando os bons resultados.

Isto quer dizer que uma comunidade a quem pretendemos transmitir o conhecimento deve estar preparada para recebê-lo – neste momento o procedimento é humanista, por lidar com os sentimentos e emoções da clientela.

Segundo a psicologia humanista a aceitação do conhecimento só opera-se quando a personalidade aceita e incorpora este conhecimento, e para tanto o “self” deve estar preparado para aceita-lo. Durante o processo de aceitação o educando (Ruralista) deve vislumbrar uma nova perspectiva de vida – melhoria das condições econômicas e bem-estar. Este estimulante é apresentado pelos behavioristas como um reforço positivo para a aceitação das inovações. Caso as primeiras experiências não sejam favoráveis, o reforço passa a ser negativo ocasionando a falta de estímulo e o possível fracasso dos projetos. Como preparação da clientela pode ser utilizada como reforço, a conscientização de massa, as chamadas campanhas para preparação do espírito de cada indivíduo. Podem ser também utilizadas como reforço positivo, as experiências em que foram obtidos bons resultados e que podem ser apresentadas nos eventos denominados “dia de campo”. A “Demonstração de Resultado”- (DR BRAGA,1999), é um dos vários exemplos que atua favoravelmente no processo aprendizagem. No caso do produtor agrícola, nenhum fato é tão positivo, quanto àquele que opera o resultado final de forma positiva – uma boa colheita e uma boa venda.

Recapitulando a seqüência fenomenológica do processo extensionista, temos que considerar os seguintes fatores: a) uma política agrícola planejada de forma democrática – que leve em consideração as necessidades e desejos dos agricultores; b) a preparação da comunidade alvo: c) o projeto extensionista de transmissão do conhecimento; d) um plano de política de preços e destino final da produção. Não precisa ser psicólogo ou educador para afirmar que um resultado final desfavorável pode enfraquecer ou fracassar qualquer projeto de política agrícola.

4 – BIBLIOGRAFIA

MILHOLLAN, Frank, 1925- Skinner e Rogers – Summus Editorial – São Paulo

FONCECA, Maria Tereza Louzada, 1972 – O Extensionismo Rural no Brasil

BRAGTA, Geraldo Magela, 1995 – Metodologia da Extensão Rural (Apostila da UFV)

FREIRE, Paulo, 1983 – Extensão ou Comunicação – Ed. Paz e Terra- RJ

1 Advogado, Consultor Ambiental, ex. Professor de Direito Ambiental da Universidade do Tocantins – UNITINS, P/ graduado (Especialista ) em Gestão Ambiental p/ UFRJ, p/ graduado (Especialista ) em Meio Ambiente e Desenvolvimento p/ Universidade Federal de Viçosa- MG, Mestre em Extensão Rural e Licenciamento Ambiental p/ Universidade Federal de Viçosa – UFV- MG